Uma viagem “De Paris a Minas” repleta de sonoridade. É o que promete para este domingo a “Cultive.com”, série on-line idealizada e produzida pela produtora cultural montes-clarense Berenice Chaves. Quem vai propiciar esse passeio musical é o compositor, baixista, arranjador e pesquisador musical Yuri Popoff. Aos 69 anos, o norte-mineiro é um dos grandes nomes da arte brasileira e nosso convidado para o bate-papo de hoje.

A série estreou no último fim de semana, com a apresentação do novo álbum do montes-clarense Jorge Takahashi. Acontece sempre aos domingos, às 20h, via plataforma YouTube. Além de música, a mostra virtual apresenta dança, artes plásticas e literatura.

Yuri começou os estudos no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez (Celf), em Montes Claros, e se apresentou em alguns bailes na cidade. Logo depois, se firmou após o primeiro trabalho como concertista, tocando contrabaixo acústico na Orquestra Sinfônica de Campinas (SP), em 1975. A partir desse evento, passou a ter seu sustento trabalhando como músico profissional.

Qual a sua ligação com a França?

A França sempre foi para mim um país encantador, principalmente, Paris, pela sua história e belezas. Uma cidade muito romântica. Mas tenho duas filhas que vivem lá há mais de dez anos. Elas são casadas com franceses, já com filhos. A Mariana tem o Marc Aurele e, a Diana, tem a Nina, meus netinhos franceses. Além da relação com amigos e músicos franceses, a relação familiar é a mais forte que tenho com a França.

Conte-nos sobre sua discografia. Qual marca de maneira especial? 

Comecei com o álbum Catopê, que recebeu premiação como álbum revelação masculina em 1993. Um disco totalmente instrumental e autoral. Em seguida, lancei o álbum “Era só começo...”, com participações e colaborações muito especiais. Então veio o “Lua no Céu Congadeiro”, um registro da nossa cultura genuína do congado. Em seguida, gravei a trilha que compus para o filme de Remi Denecheau: “Os Herdeiros do Guaraná”. Em 2017, lancei o álbum de composições autorais “Batom Passado”, com interpretações minhas, com a excelente cantora Beth Dau, e ainda tive a oportunidade de gravar o álbum no estúdio Sextan de Paris, com músicos da cena jazzística parisiense, e que se intitula “De Paris A Minas” e lançado em 2018. São trabalhos basicamente independentes, quase todos produzidos por mim. Somente o álbum Catopê é da gravadora Leblon Records. São todos especiais, pois cada um retrata o momento que eu estava vivendo, cada um tem sua própria história, mas que revela a minha também.
 
Você fez alguns trabalhos com a produtora montes-clarense Berenice Chaves. Como foi o convite para participar da Série Cultive.com?
Conheço a Berenice há bastante tempo. Ela fazia parte do grupo Banzé, que eu também já tinha participado anteriormente, só que eu já estava residindo em Belo Horizonte. Coisa que a Beré fez também naquela época e isso estreitou nossa amizade. Após a mudança dela para Salvador e a minha para o Rio de Janeiro, demos uma sumida um do outro, mas após um show que fiz com o Toninho Horta em Salvador, para minha surpresa, a Beré chegou. Aí, com pouco tempo, ela tornou-se produtora e começamos a trabalhar juntos.
 
O que você espera desse projeto on-line?
Quando a Berenice me falou do projeto Série Cultive.com já achei genial, pois se trata de um evento feito com muito capricho e, certamente, ficará como um ótimo documento para pesquisa. Isso em um país sem memória, como o Brasil, será excelente. O convite foi algo natural, pois estamos juntos. Espero que o projeto cumpra seu objetivo, que é muito bacana e útil para a cultura, principalmente para o Norte de Minas e para o Brasil.
 
Quais são seus projetos daqui pra frente?
Meus projetos agora estão voltados para o lançamento do meu Song Book, e a possibilidade de estrear uma peça que escrevi para coro, orquestra, com o grupo de Folia de Reis, sendo esta, um Auto de Natal Brasileiro.

Episódio com Yuri Popoff - Série on-line Cultive.com
Quando: Domingo - 4/10
Onde: www.youtube.com/Berenicechaves1
Horário: 20h