
Montes Claros recebe na próxima quinta-feira, 18 de junho, o lançamento do filme “Criadas”. Primeiro longa-metragem dirigido por Carol Rodrigues, o filme conta uma história sobre identidade, memória e pertencimento, questionando estruturas sociais a partir de perspectivas negras. A exibição será gratuita, no Museu Regional do Norte de Minas, no Corredor Cultural, às 19h.
“Criadas” acompanha Sandra, que volta à casa da prima Mariana em busca de uma foto da mãe, que foi empregada residente ali no passado. Criadas juntas, Sandra, uma mulher negra de pele escura, e Mariana, negra de pele clara, tiveram experiências muito diferentes na casa e em suas vidas. A reconexão traz à tona memórias enterradas: fantasmas da infância, da ancestralidade e de um amor que nunca foi embora.
De acordo com o presidente do Cinema Comentado Cineclube, Elpidio Rocha, a exibição de “Criadas” faz parte das ações do projeto Sessão Vitrine Petrobrás, que leva lançamentos do cinema brasileiro a localidades que, na maioria das vezes, não recebem esses filmes nas salas de exibição dos shoppings. “Faz parte de uma estratégia de difundir e divulgar nossos filmes para que o público possa conferir a qualidade e diversidade da produção cinematográfica nacional”, explica.
“É a terceira Sessão Vitrine Petrobrás realizada em Montes Claros. Anteriormente, exibimos “Saneamento Básico” em conjunto com “Ilha das Flores”; em agosto de 2025, foi a vez do lançamento “Um Lobo Entre os Cisnes””, conta Rocha. Ele destaca, ainda, que a proposta do Cinema Comentado Cineclube é reforçar a parceria com a Vitrine trazendo mais filmes brasileiros de qualidade para o público de Montes Claros.
Misturando drama psicológico, realismo fantástico e horror subjetivo, o longa constrói com metáforas e alegorias, uma atmosfera em que a casa deixa de ser apenas cenário para se tornar arquivo vivo das violências, silêncios e afetos que atravessam gerações. A diretora, Carol Rodrigues, explica que a casa guarda aquilo que as personagens tentaram esquecer. “Era importante para mim pensar o espaço como uma presença viva, que observa, cobra e devolve memórias”, afirma. O filme nasce da tentativa de compreender as contradições dentro da própria família e das marcas deixadas pelo trabalho doméstico nas dinâmicas afetivas brasileiras.
A produção também chama atenção pelo modelo de realização adotado pela equipe. Com mais de 80% de profissionais negras e negros e maioria formada por mulheres e pessoas LGBTQIAP+, o filme buscou construir um processo menos hierárquico, aliado a uma política salarial horizontal e uma escala de trabalho fora da lógica tradicional de exaustão do audiovisual. “Não adiantava falar sobre transformação apenas na frente da câmera. A forma de produzir o filme também precisava refletir os valores que estávamos defendendo artisticamente”, afirma Julia Zakia, produtora e diretora de fotografia do longa.
“Criadas” estreou nos cinemas no dia 11 de junho, e tem produção da Gato do Parque Cinematográfica, em coprodução com Telecine, Canal Brasil, NayMovie, Cinefilm, Volta Filmes e Netas de Esméria, com distribuição da Vitrine Filmes.
