Umas das manifestações culturais mais tradicionais em Minas, o Congado será transformado em patrimônio cultural e imaterial mineiro. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Leônidas Oliveira, durante apresentação de um desses grupos em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri.

Os congadeiros participaram da Festa do Rosário na cidade, com Missa Conga em honra a Nossa Senhora do Rosário e Encontro da Guarda. O evento foi o primeiro em Minas de forma presencial após o início da pandemia.

“Tenho um carinho, respeito, devoção e afeto grande pela Nossa Senhora do Rosário. Temos o Descentra Cultura, que está na Assembleia, e vai permitir que os congadeiros e congadeiras, povo das comunidades tradicionais, possam acessar os recursos sem fazer projetos. Apenas com o credenciamento, pois o reinado, ele é o projeto. As pessoas são o projeto vivo, então é a manutenção da cultura”, disse o secretário.

Segundo ele, o objetivo na Secult é de descentralização dos investimentos, “levando aos municípios essa cultura viva, que mantém vivas as nossas tradições, nossa mineiridade, que vem de encontro a uma coisa maior no Estado, que é proporcionar a coesão social”.

Os grupos do reinado, do congo, afirma Leônidas, têm uma função importante de coesão social.
 
CADASTRAMENTO
Outra ação importante no Estado é o cadastramento das manifestações afro-mineiras, para que essas atividades possam ser inseridas em políticas públicas voltadas para a cultura no Estado.

O cadastro será realizado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). A iniciativa foi apresentada durante o 1° Encontro Estadual de Afro-mineiridade, realizado no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

No palco, foi possível conferir dez apresentações artísticas e gratuitas de grupos de Congado, Capoeira, Terreiros, Samba, Batuque e Hip Hop, dentre outros, de diferentes regiões de Minas.

O encontro também integra as ações do Plano Descentra Cultura Minas Gerais. O secretário-geral do Governo de Minas Gerais, Mateus Simões, lembra que o Congado é uma das mais legítimas representações da afro-mineiridade.

“Seja na região dos Vales, no Nordeste, no Norte, no Triângulo Mineiro, na Zona da Mata, no Sul de Minas, vamos encontrar a tradição presente em todo o Estado. O Congado é uma manifestação religiosa e, de alguma forma, um espetáculo cultural. Ele é a essência do que é ser mineiro”, afirma.
 
VOZ E VEZ
“Como artista, me emociono e sei da importância e do sinal que estamos passando para a sociedade ao receber esse evento em um dos principais palcos do país. Estamos abrindo essa conversa para dar voz e vez, para criarmos uma agenda de oportunidades, discutir possibilidades, inserir a afro-mineiridade nas políticas públicas de cultura e reconhecer a importância dela”, disse o subsecretário de Cultura da Secult, Maurício Canguçu.

O idealizador do encontro, Adriano Maximiano da Silva, titular da cadeira de Culturas Afro-brasileiras do Conselho Estadual de Política Cultural (Consec), enfatiza a representação da ancestralidade no maior palco de Minas. 

O cantor e compositor Nego Moura, que se apresentou no Palácio das Artes, afirma que o encontro chancela a importância da presença negra na cultura.

“Os negros devem ocupar seus lugares por direito, pois o Brasil é um país miscigenado, onde a maioria da população é negra, mas ainda sofre com o preconceito, como as religiões de matrizes africanas sofrem”, frisa. 

“Seja na região dos Vales, no Nordeste, no Norte, no Triângulo Mineiro, na Zona da Mata, no Sul de Minas, vamos encontrar a tradição presente em todo o Estado. O Congado é a essência do que é ser mineiro”, Mateus Simões, secretário-geral do Governo de Minas

*Com Agência Minas