Bailarina, coreógrafa e professora de dança que tem uma história que se confunde com a chegada do balet a Montes Claros. Jaqueline Pereira fez parte da primeira turma do professor Joaquim Ribeiro, que vinha de Belo Horizonte uma vez por semana para dar aulas no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez (Celf), em 1974. Toda a paixão e dedicação à dança desta montes-clarense, hoje com 57 anos, estarão neste domingo no Cultive.com, série on-line apresentada no canal do YouTube.

Jaqueline, que cresceu junto com Berenice Chaves, produtora cultural da série on-line, conta que elas faziam parte da trupe feliz da rua Barão do Rio Branco, no Centro da cidade, composta por crianças e adolescentes que estudavam música e dança. 

“A arte nos foi apresentada na infância e fomos muito sensíveis a ela. Depois de adultas, definimos nossos segmentos. Há mais de um ano, através do Cultive, ela me convidou para coreografar uma música do Yuri Popoff para o show ‘De Paris a Minas’, aqui em Montes Claros. Este acontecimento nos fez reaproximar. Aqui estou novamente fazendo parte de mais uma produção orquestrada por ela”, conta Jaqueline.

A dançarina lembra que cada aula no Celf era esperada com toda a expectativa que as “coisas” da infância merecem. A menina de 9 anos decidiu, então, que aquele era o seu caminho e nunca mais parou de fazer aula. E acabou fazendo da dança a sua vida. A professora Ymma Martins, com quem Jaqueline estudou na adolescência, em Montes Claros, também ajudou na construção da bailarina.

PROFISSIONALIZAÇÃO
“Mais tarde um pouco, no início da década de 1980, fui para Belo Horizonte me profissionalizar, estudando com professores renomados, como Betina Bellomo, Joaquim Ribeiro novamente, Pedro Pederneiras, dentre outros”, conta. 

Foi neste tempo que a dança se tornou sua profissão. Registrada pelo Sated-MG como bailarina profissional, começou a jornada de ser integrante de grupos de dança. Mas, quando se casou e retornou a Montes Claros, não podendo mais sair pelo mundo com a dança, decidiu continuar seu ofício criando o Studio de Ballet Jaqueline Pereira. 

Daí, para a produção de grandes espetáculos infantis e adultos, foi um pulo. Um dos mais marcantes foi “Pessoa”, um trabalho de dança contemporânea realizado em 2011. “Trabalhar Guimarães Rosa e Lispector é se inspirar neles, na necessidade de falar de nós mesmos, dançar o ser humano, transcender a nossa mais pura essência. E o que estes dois grandes escritores nos revelam em seus livros. Me identifiquei com vários contos e me veio uma vontade enorme de transportá-los, transformá-los em dança, trazê-los para mim mesma”, conta.

E foram muitos ao longo da carreira. Ano a ano, uma novidade. Só mesmo uma pandemia, com todos os impedimentos que ela traz, para fazer com que seus espetáculos deixassem a cena. Apesar dos entraves, pois para ela dança é também olho no olho, sentir o outro, a dificuldade também a provoca e a faz se reinventar. O Cultive é uma das formas encontradas para levar a dança, além da pandemia.

“E já estamos fazendo isso. Muitas vezes, mesmo através da tela, nós trocamos incansavelmente informações e emoções. Temos que trabalhar em dobro, pois o ser humano está pedindo socorro! E a arte tem o poder de socorrer, transformando-nos em seres melhores. Espero que o Cultive.com seja mais uma fonte poderosa de propagar a arte! Agora, mais do que nunca, estamos dependendo dela para uma vida mais sensível”, acredita.

No Cultive ela espera mostrar não apenas um pouco da sua história, mas como a arte pode ser importante no momento pelo qual passa a humanidade. Por isso, ela convida a todos para conferirem a sua participação neste domingo e dos muitos outros artistas que participarão do projeto.