Ator mineiro convida público montes-clarense para espetáculo no CCHP

Adriana Queiroz
17/05/2022 às 00:43.
Atualizado em 17/05/2022 às 10:44
 (guto muniz/divulgação)

(guto muniz/divulgação)

Montes Claros recebe entre os dias 19 e 22 deste mês, no Centro Cultural Hermes de Paula (CCHP), o espetáculo teatral “Pai”, monólogo interpretado pelo mineiro Glicério Rosário, com direção de Geraldo Octaviano.

O ator tem formação livre, com vivências com vários profissionais, como João das Neves (interpretação), Rufo Herrera (musicalização), Eládio Perez Gonzáles, Babaya, Madalena, Bernardes (expressão vocal), além da partilha de experiências com importantes profissionais do teatro em Minas Gerais, como Cida Falabella, Eid Ribeiro, Marcelo Bones. 

“Outro fator importantíssimo em minha formação foi a convivência, produção e criação nos grupos que participei: Grupo Reviu a Volta, Grupo Sonho e Drama e Grupo Trama de Teatro”, diz. 

Mestre em Teoria da Literatura pela UFMG, Glicério bateu um papo com O NORTE. Confira.

 
O que podemos esperar de “Pai” e qual importância desse trabalho na sua carreira?
Podem esperar um trabalho que dialoga com questões do presente. O que significa ser homem, ser pai, atualmente. Muito se tem refletido sobre esses novos entendimentos de papéis sociais, familiares. ‘Pai’ aborda alguns destes pontos, falando de afetos masculinos. Aproveita e traz a discussão sobre a existência ou não de um suposto pai simbólico, o Estado. O que esperar do Estado? O que ele nos cobra? Quais as consequências sociais de um Estado ausente e, paradoxalmente, autoritário?
 
Quando você percebeu que tinha talento para ser ator?
Isso vem desde a infância. Morava em um bairro de periferia de BH, com seis irmãos, inventávamos diversas traquinagens, dentre elas, o teatro, banda musical... Mas foi na adolescência que comecei experimentar maior envolvimento com a arte, pela dança. De dança de rua, break, passei para o jazz, o clássico e o contemporâneo, até ver uma primeira apresentação teatral: ‘O pagador de promessas’. Foi muito forte! Daquele momento em diante, entrei para o grupo de teatro do colégio e nunca mais parei.
 
Fale um pouco de alguns espetáculos, peças, participações na área artística e aquele que marcou sua vida especialmente e por que.
Bem, como disse, minha primeira marca foi essa apresentação que vi, de ‘O pagador de promessas’. Montagem amadora ainda, mas de grande impacto para mim. Depois, a primeira montagem que me marcou foi o resultado de uma oficina para amadores com meu mestre e amigo João das Neves (com quem tive, mais tarde, a honra de ser parceiro de cena, na sua última aventura teatral antes de partir). Era a montagem de 11 contos do “Primeiras Estórias”, livro de Guimarães Rosa, em 1991/92. Ocupávamos várias áreas de um parque ecológico de BH (hoje, Centro Cultural Lagoa do Nado). Depois, minha primeira peça profissional, “Caminho da Roça”, com direção de Cida Falabella, com quem tive uma boa jornada de vivências em outras montagens. Uma das mais marcantes, após montar o Grupo Trama de Teatro foi, sem dúvida, ‘O homem da cabeça de papelão’. Peça que rodamos por vários estados e ganhamos prêmios. Uma peça que também é marca, da mesma época que ‘O homem da cabeça de papelão’, é ‘Bento, cabeça de vento’, peça de minha autoria. Uma montagem infantil, com a linguagem da mímica, e minha primeira parceria com um grande parceiro de profissão, Geraldo Octaviano, na direção. Depois, uma peça que marca a empreitada, solo, foi ‘São Francisco de Assis à Foz’ (também com Geraldo Octaviano). Aqui, faço meu primeiro monólogo, ganhando prêmios e viajando por um bom número de cidades e estados. Agora, nesse outro monólogo ‘Pai’, onde trago muito da minha história pessoal.
 
É a primeira vez que vem ao Norte de Minas?
Não. Conheci Bocaiuva em 1992, no Festivale, onde retornei para dar oficinas e dirigir montagens teatrais. Depois voltei apresentando espetáculos lá e também em Montes Claros. Participei, também em Montes Claros, do projeto Teia, da Cia Acômica, na montagem do espetáculo ‘Catrumano’.
 
Você celebra 30 anos de atividade profissional. Como avalia a sua trajetória até aqui?
Avalio como uma trajetória digna, meritória que, apesar do reconhecimento e prática, continua mostrando muitos desafios para possibilitar o exercício com dignidade.
 
Tem projetos para novas peças para este ano?
Estamos em uma nova empreitada, bem no início, de uma montagem que traga o humor das duplas caipiras que faziam dos programas de outrora, palco para suas apresentações, sátiras e críticas políticas. Aproveito para convidar a todos para retornarem aos teatros, agora que a pandemia arrefeceu, para celebrar o encontro com a arte. Precisamos oxigenar nossas ideias e pensamentos.

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