A artista norte-mineira Marliete Batista tem usado as redes sociais para divulgar um trabalho muito criativo. Ela usa telhas como tela para suas pinturas. São temas ligados a paisagens, futebol, religião, animais e fotos pessoais. 

“As fotos são baixadas no Google. Faço a decoupage e entro com a pintura. As outras são de arquivo dos clientes e faço o mesmo, entro com a pintura”, conta. 

A arte na telha é um objeto decorativo e, de acordo com a artista, são muitas as encomendas para serem ofertadas aos amigos como presentes. Outros clientes fazem pedidos para decorar varandas de fazendas e sítios. 

“Tive um cliente que pediu da família toda para decorar as paredes da casa do sítio. Um outro cliente que presenteou o irmão, que tem um haras na Califórnia, nos Estados Unidos. Em datas comemorativas recebo muitos pedidos também. Foi assim Dia dos Pais e, agora, já recebendo pedidos de imagens sacras e fotos pessoais para o Natal. Alguns clientes pedem personalizadas com o nome do comércio para decoração. São muitas variedades”.

Apesar de tantas encomendas, ela diz que tem enfrentado a pandemia de forma um tanto tensa. Nesse período, o pai acabou sendo diagnosticado com Alzheimer, o que, para ela, a mãe e o irmão ainda está sendo muito difícil de aceitar, porque ele sempre foi um homem muito trabalhador, inquieto e inteligente. “É uma doença triste e que, junto à pandemia, parece ser pior ainda”, lamenta.

A mãe acabou por adoecer também e a família está isolada, na esperança de que tudo volte ao normal. É um momento de incertezas para Marliete, mas também de crescimento espiritual. “Juntos, a oportunidade de estar mais próximos ao nosso bom Deus, a nossa família. Momento de dar valor às pequenas coisas”, diz.

Habilidosa, a artista optou em passar os dias na fazenda em Caçarema, distrito de Capitão Éneas, Norte de Minas. Um lugar pacato, calmo e uma vista de tirar o fôlego. Foi lá que passou toda a infância regada a brincadeiras, casa cheia (são 11 irmãos), onde iam a pé para roça, na casa dos avós paternos.

“Comecei a fazer um curso on-line para trabalhar com o artesanato na garrafa. Gostei, porém, vi que não era o que eu queria ou o que eu tinha paciência - me chamam de hiperativa (risos). Com a construção da sede da fazenda, sobraram algumas telhas, me bateu a ideia de transformar uma delas em arte. E deu certo. Divulguei a primeira nas redes sociais e daí começou a procura. E vem dando certo até hoje”, comemora.
 
EXECUÇÃO
A matéria-prima principal é a telha. Marliete usa impressora para imprimir a imagem que o cliente solicita, faz a colagem na telha e espera o momento de inspiração para fazer a arte. Tem todo um processo até chegar à finalização.

“Vem desde a preparação da telha, como furar, pintar o fundo, fazer a colagem da foto, preparar a tinta, usar a purpurina, o verniz, a corda para pendurar, a tag de propaganda (risos), o embrulho na finalização para ser enviada ao cliente”, revela.

Na família tem outros artistas, um deles bem conhecido em Montes Claros e região: Hélio Aguilar. “Tem uma sobrinha muito dotada também em tudo que põe as mãos, mas que atualmente está se dedicando à profissão de psicóloga. E está brotando mais um artista, com apenas 10 anos de idade, o Arthur, que desenha muito”, conta.

Para acompanhar a artista:

Facebook e Instagram: marlietebatista