“Janelas” é o mais novo trabalho do artista plástico Fábio Ribeiro, conhecido carinhosamente por Biolla, de 66 anos, que será apresentado durante a Festa Nacional do Pequi, de 7 a 9 de fevereiro, na Praça da Matriz. É voltado para o olhar dedicado às janelas. “Pretendo também mostrar, claro, a possibilidade de o observador enxergar dentro desse ângulo”, conta. 

As obras do artista buscam uma reflexão ligada à natureza, à questão ambiental, social, poética e filosófica. “O trabalho é uma multiplicação de vários posicionamentos com relação, por exemplo, ao pequi, ao cerrado, ao meio ambiente”, diz.

Biolla nasceu em Engenheiro Dolabela, Norte de Minas, que fica a 100 quilômetros de Montes Claros. A cidade sempre foi importante para o artista. Nos anos 50, já contava com um cinema, bailes, boas festas, indústria, pessoas de várias partes do mundo e também muitos nordestinos e paulistas, que trabalhavam na indústria açucareira. 

“Depois que a gente amadurece, vê que a infância contribui muito para esse olhar. Sou o último de nove filhos, nasci na beira da linha, meu pai era ferroviário e minha mãe, do lar. Tudo ali, em frente à estação. E, do outro lado, existia a fábrica de álcool e açúcar”, diz. 

Foi nesse ambiente que Biolla começou a desenhar e suas brincadeiras eram voltadas para a criatividade. Teve a influência dos irmãos. Inclusive, nessa exposição, o artista homenageará a irmã Luiza. “Quero ter um posicionamento especial com a Luiza. Fui muito influenciado com seu aprendizado artístico, admirava os cadernos de desenho dela, as paisagens, a geometria. E tem também o João Henrique, meu irmão, que me influenciou muito. Na época da pintura psicodélica, anos 60, ele fez um painel em casa, em um dos quartos, voltado para essa questão”, conta. 

Na adolescência, o artista veio para Montes Claros. Estudou no Seminário Diocesano, que contava com um excelente aparato cultural.

“A gente via cinema aqui, presenciei também o começo do Beto Guedes, no grupo Brucutus, participava dos ensaios deles. Tive uma oportunidade muito grande de ver, no Colégio Imaculada, um músico que inventou o instrumento magnético, isso foi na década de 60. E se eu não me engano, ele era tcheco. Esse instrumento só foi ter mais conhecimento do público, em geral, na década de 90, coisas que marcam a vida da gente”, conta. 

Biolla residiu em Vespasiano, Belo Horizonte e retornou a Montes Claros nos anos 70, para trabalhar com desenho técnico, a convite de um amigo engenheiro.

“Foi aí que parti para a arte. Fiquei, então, fazendo as duas coisas, como faço até hoje. Trabalho também com desenho técnico na área de arquitetura e engenharia civil”, conta.

A exposição poderá ser vista do dia 7 deste mês até março, no Centro Cultural Hermes de Paula.

“Depois que a gente amadurece, vê que a infância contribui muito para esse olhar. Sou o último de nove filhos, nasci na beira da linha, meu pai era ferroviário e, minha mãe, do lar. Tudo ali, em frente à estação, e do outro lado existia a fábrica de álcool e açúcar”