Jerúsia Arruda


Repórter


jerusia@onorte.net



De que fonte se alimenta o sonho?



Outro dia, em uma conversa com o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós, ele me disse que a mola propulsora da realidade é a fantasia. Segundo ele, as grandes descobertas só foram possíveis porque alguém fantasiou e, como exemplo, citou o avião que hoje corta os céus a uma velocidade estonteante, transportando centenas de pessoas ao mesmo tempo, graças à fantasia de Santos Dumont ao criar o 14 Bis, dando o ponta-pé inicial àquele que viria a se tornar o meio de transporte mais rápido e que encurtaria distâncias entre lugares, coisas e, principalmente, entre as pessoas.



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Formado por jovens entre 16 e 25 anos, o Semina Dei apresenta o espetáculo Enquanto o vento soprar... reunindo teatro, música e dança (foto: arquivo)



Com a curiosidade aguçada pela argumentação instigante do escritor, uma pesquisa veio me revelar que as grandes descobertas e invenções tiveram o primeiro contato com seu autor assim, aparentemente meio por acaso, mas, na verdade, por este estar no mundo da fantasia, buscando uma resposta para uma pergunta que nem mesmo sabia formular.



Assim foi com Isaac Newton, enquanto descansava debaixo de uma macieira e, ao cair uma maçã, começou a questionar que força havia provocado a queda do fruto. Desse questionamento, surgiram respostas para tantas dúvidas da época, como o que segura a lua em órbita em volta da terra e os planetas à volta do sol; e outras mais simples, como por que um objeto cai e outros flutuam. A quantificação da Lei da Gravidade começou assim.



Também foi assim com a Penicilina, descoberta pelo bacteriologista inglês Alexander Fleming. Durante mais de três milhões de anos, a raça humana enfrentou uma guerra sem descanso contra os micróbios ou, como a maioria das pessoas os conhecem, os germes. E, durante milhares de anos, os micróbios ganharam. Surtos de pragas, tifo, gripe e outras doenças infecciosas deixaram um rasto de morte e sofrimento. Em 1928, enquanto desenvolvia suas pesquisas, graças a uma seqüência de acontecimentos imprevistos e surpreendentes, Fleming descobriu a Penicilina, fato posteriormente considerado por especialistas um feito do acaso ou quase milagre. Esse é um dos marcos mais importantes da história da humanidade - a primeira defesa real contra infecções causadas por bactérias.



Mas, como disse o ilustre pesquisador francês Louis Pasteur (1822-1895), o acaso só favorece aos espíritos preparados e não prescinde da observação.



E é por isso que agora voltamos ao questionamento: - de que se alimentam os sonhos?



Vez ou outra deparamos com pessoas que parecem estar no mundo da lua, que falam de planos que nos parecem mirabolantes, mas, com o passar do tempo, ouvimos contar ou as reencontramos com esses sonhos em plena atividade, no plano real. Em outras ocasiões, sonhadores se encontram e compartilham suas fantasias, seus desejos da alma, seus insights, criando espetáculos que encantam e contagiam o mundo com sua utopia.



O bom seria detectar na origem um grande criador, sem esperar que o efeito de sua criação se propague para atestar a grandeza de seus feitos.



Talvez este seja um bom momento para isso.



Há pouco tempo alguns jovens, garotos e garotas entre 16 e 25 anos, se encontraram e compartilharam suas inquietações e fantasias, e todos concordaram que seus sonhos pareciam impossíveis. Eles desejavam ardentemente trazer à tona um universo que só eles conheciam, restrito ao íntimo, individual de cada um, mas que, se pudesse ser compartilhado com as outras pessoas, poderiam melhorar o mundo, resguardadas as devidas proporções. Então resolveram se arriscar e formaram o grupo Semina Dei, com a proposta de tornar realidade os devaneios comuns através da arte.



O resultado dessa fusão de fantasias é um grupo que tomou como princípio a responsabilidade de transmitir, através do teatro, da música e da dança, mensagens de ânimo, paz, esperança e confiança, instigando nas pessoas a busca pela harmonia, serenidade, e o desejo de viver de forma simples, singela, mas em pleno contato com a força interior que emana de cada um, propondo uma busca constante por uma vida melhor.



Alguns desses jovens já encaram o conturbado mercado de trabalho, outros estão se preparando na academia, e outros, ainda, estão na fase decisiva de escolher qual profissão seguir.  Em comum, independente da área de conhecimento individual, todos têm a arte e cultura como forma de comunicação direta com o mundo e, juntos em um palco, pretendem mostrar seus talentos e, principalmente, que vale a pena viver.



Timidamente brotando, mas já com uma raiz firme, Semina Dei surge como uma semente que promete se tornar frondosa árvore.



E Montes Claros ganha de presente mais uma companhia de arte.



Com o título Enquanto o vento soprar..., o primeiro espetáculo do grupo acontece nos próximos dias 1º, 02 e 03 de dezembro, no Centro Cultural Hermes de Paula. No dia 1º de dezembro, sexta-feira, às 20h30, a apresentação será exclusiva à imprensa.



Nos dias 02, sábado, às 21h, e 03, domingo, às 20h30, as apresentações serão abertas ao público.



ENQUANTO O VENTO SOPRAR...



Em cima do armário de peroba, uma caixa estava por muito tempo esquecida.



A garotinha guardou dentro dessa caixa todas as suas lembranças, objetos que marcaram para sempre certa fase de sua vida.



Um vento misterioso adentra no quarto pela janela e derruba a caixa que cai no chão.



Os objetos saem da caixa e começam a questionar o que estão fazendo ali no chão do quarto. Uma Bailarina meiga, que perdeu uma de suas sapatilhas, tenta com muito custo dançar novamente.



Um Retrato, um pouco desvairado, que só encontra razão de viver em sua moldura que, infelizmente, está trincada.



Um prepotente Troféu que se acha o rei de todas as belezas existentes.



Uma Cola, cuja sabedoria é o resultado de muitos objetos colados.



E um Grilo que mora na caixa e que não tem nenhuma ligação com os outros objetos, mas que é essencial para a concretização de um sonho pueril.



Todos se unem em uma áurea imaginária para trazer o sorriso de volta aos lábios da garotinha que foi marcada por vários acontecimentos.



Mas como os objetos, frutos da memória, poderão animar um ser tão triste?



A resposta está nas entrelinhas de uma carta revelada pelo vento...



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Cia. de Arte Semina Dei: Enquanto o vento soprar...


1º de dezembro, sexta-feira às 20h30 – convite especial


02 de dezembro às 21h e 03 de dezembro às 20h30 – espetáculo aberto ao público


Ingressos:


Inteira =  R$ 6 + 1kg de alimento não perecível  


Meia =    R$ 3 + 1kg de alimento não perecível


Local: Centro Cultural Hermes de Paula, na Praça da Matriz – Montes Claros/MG