O saxofonista Beto Saroldi já rodou o mundo levando o seu som a diversos festivais de jazz e blues, além de participar de bandas de grandes músicos brasileiros. Neste domingo, ele vai encantar a plateia virtual da série on-line Cultive.com. 

“Estou achando o projeto on-line espetacular. Uma grande saída, uma grande atitude para nos manter em evidência de certa forma. Isso nos deixa mais próximos, mais perto dos fãs. Esse é o momento, e nós precisamos aproveitá-lo da melhor maneira possível”, afirma o músico.

Ao longo da carreira, Beto Saroldi tocou com Eduardo Dusek, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Raimundo Fagner, Guilherme Arantes, Wagner Tiso & Lô Borges. Depois de ter tocado no primeiro “Rock in Rio”, em 1985, Beto viajou para a Flórida e Nova York para descansar e comprar novos saxofones. Como estava sempre trabalhando, fazendo shows pelo mundo, não tinha tempo para assistir outras bandas.

“Voamos da Flórida para Nova York. Minha mulher e eu e ficamos hospedados na casa de uma grande amiga, Cacau Thompson, que era fotógrafa exclusiva do Sting, que tinha acabado de sair do The Police. Assisti Sting com o show ‘Bring on The Night’, com toda aquela banda de músicos negros incríveis, com Darryl Jones (hoje, baixista dos Stones), Branford Marsalis (sax), Omar Hakim (bateria), fazendo um som absurdo”, lembra.

Para o artista, o show foi espetacular. O disco ao vivo só saiu no ano seguinte, mas toda aquela atmosfera, as meninas berrando por Sting antes do show começar, o mix do jazz com o rock, foi impactante demais para ele. “Ainda pude ver shows nos clubes do Village, aqueles momentos, a música em alta, foi determinante para pensar em ter minha própria banda. Quando cheguei ao Rio, montei a banda que levaria meu nome em fevereiro de 1985”, diz.

É com Beto Saroldi, nosso bate-papo de hoje.
 
Conte-nos um pouco sobre o álbum “Vênus”:
Na verdade, eu pensava em produzir um novo trabalho. Fiz a primeira música no inverno passado, foi o que precisava para impulsionar o álbum. Lendo o jornal, como faço todos os dias, vi o horóscopo e bati o olhar no “regente” de meu signo: lá estava “Vênus”. Adorei o nome. Curto como meus dois primeiros discos – “Metrô” e “Charme” – que me deram muita sorte. Afinal, trata-se do Planeta “Vênus”. Pronto, dei o nome à música e ao disco. Fui compondo as músicas, sou multi-instrumentista, facilita muito o processo de composição, tocando piano (é nele que componho minhas músicas, depois passo a melodia para o saxofone ou voz, quando se torna uma canção).
 
Tem muitas gravações e participações especiais neste novo álbum?
Vivo dentro do estúdio na minha casa. Tenho muita disciplina para trabalhar em casa, e gravar para mim é muito prazeroso. O fato de eu ter sido requisitado nos estúdios de gravação ainda muito jovem tornou-se uma paixão para mim. Eu gravava meu sax, mas não ia embora dos estúdios. Ficava ali, observando os técnicos, a maneira de gravar um piano, uma guitarra, o equilíbrio do stereo, a mixagem. Isso tudo ajudou muito em minha carreira também de produtor musical. Sou extremamente exigente e tenho mania de perfeição, então, muitas das músicas que vocês vão ouvir em “Vênus” foram compostas e gravadas começando sempre após o almoço e entrando madrugada adentro. Algumas, eu vi o dia amanhecer, exausto, mas feliz!
 
Como foi o convite para a Rosa Marya Colin?
Pois é, minha participação especial foi convidar a incrível diva da música brasileira Rosa Marya Colin e sua voz exuberante em “Uma Estrela a Mais” (Beto Saroldi & Paulo Zdan). Um tremendo soul, com beat classudo, harmonia sofisticada, onde toco piano Rhodes, Oberheim Keyboard, Strings, Bass Synth, bateria e percussão. Rosa Marya simplesmente arrasou com toda sua técnica e classe na canção. Ainda temos as participações nessa música de Fernando Vidal (guitarrista de Seu Jorge e Fernanda Abreu), que grava todos meus discos. É um guitarrista muito aplicado e conhece muito bem essa concepção que trago da Soul Music, da música negra americana para minha música. Essa concepção tornou-se uma marca em minha carreira solo, e não vejo nenhum colega fazendo um som parecido com o que faço. Temos também em “Uma Estrela a Mais” a guitarra de Luiz Comprido (da Conexão Japeri), banda de onde surgiu Ed Motta. Então dá para vocês entenderem que eu me cerco dos melhores e que conhecem bem o universo Soul.
 
Como foram as gravações em pleno distanciamento social e como isso interferiu nos shows e lançamento do álbum?
As gravações durante o distanciamento social foram muito poucas: “Noites e Noites Sem Fim” e a soul “Sensuality (Supernatural)” surgiram nesse período. “Sensuality” tem um beat incrível, um balanço maravilhoso. Existe uma sensualidade natural em minha música. Comecei a compor ao final de tarde e terminei com o dia claro. Quando a ouvi no dia seguinte, com o ouvido descansado (foram mais de 12 horas de estúdio, parando só para jantar), não pude deixá-la de fora. Toco todos os instrumentos na música. Piano Rhodes (que dá toda aquela sonoridade da Soul Music das gravações da Motown), os sintetizadores, o Bass Synth e a bateria. Como produtor, convidei o guitarrista da serra de Friburgo Ismael Carvalho para gravar a guitarra Wah Wah e fechamos a música.

 

SERVIÇO
Para seguir o artista:
Instagram: @betosaroldi
Facebook: beto.saroldi
YouTube: BetoSaroldi
Episódio com Beto Saroldi - Série on-line Cultive.com
Quando: Domingo (18/10)
Onde: www.youtube.com/Berenicechaves1
Horário: 20h