A tradição dos Caboclinhos

A partir desta terça-feira (18), O Norte começa a contar a história de cada um destes grupos que fazem a maior festa popular de Montes Claros

Jornal O Norte
Publicado em 18/08/2015 às 08:09.Atualizado em 15/11/2021 às 16:21.

Será realizada na noite desta terça-feira (18), no Centro Cultural Hermes de Paula, a abertura oficial da 176ª Festas de Agosto e do 37º Festival Folclórico de Montes Claros. O evento este ano conta com uma série de novidades , entre elas as mudanças no circuito oficial da festa.

A abertura do evento será a partir das 20h. Na programação está a apresentação da Banda Municipal de Música, o lançamento dos selos personalizados em homenagem aos Catopês, Marujos e Caboclinhos, o lançamento do III Concurso de Estandartes, além do lançamento de livros.

A tradição dos Caboclinhos









Foto: Silvana Mameluque

Maria do Socorro, chefe dos Caboclinhos, é a única mulher da festa à frente de um grupo
 

Uma pessoa simples e batalhadora, assim é Maria do Socorro, chefe do Primeiro Grupo de Caboclinhos de Montes claros. Sua paixão pelos cortejos começou desde os oitos anos, quando participava da Folia de Santos Reis e o seu pai, Mestre Joaquim Poló, ainda era o líder do grupo. Em homenagem à memória dele, ela assumiu a coordenação dos Caboclinhos como a Cacicona.

Seu pai tem um grande marco nas Festas de Agosto, ele participou por um tempo das Marujadas e mudou-se para os Caboclinhos quando o grupo precisava de um violeiro. Em prol da amizade e a pedido do Mestre Edimilson, Joaquim Poló assumiu a função de ser mestre após o amigo falecer. Na intenção de integrar seus filhos nesta tradição, ele colocou Maria do Socorro como a cacicona e a primeira mulher do grupo.

A iniciação de Maria do Socorro se deu quando Joaquim Poló soube que estava com câncer e só faltava um mês para a festa. Ele então pediu que ela ensaiasse as crianças, pois estava internado e não sabia se iria sobreviver. Um dia antes de o pai falecer, ela foi até o hospital com a viola que ele havia lhe dado de presente e cantou uma música.  “Foi um momento marcante, ele chorou quando eu cantei. Assim foi a nossa despedida”, comenta emocionada. A partir disso, ela se responsabilizou pelo grupo.

Todos os anos, Maria do Socorro começa no mês de janeiro os preparativos para as Festas de Agosto. Este ano ela resolveu inovar as vestimentas das crianças com um figurino mais próximo da imagem do índio, uma blusa cor de pele juntamente com a saia forrada de penas. Com o apoio da família e de amigos ela consegue deixar tudo mais bonito. Antigamente, para confeccionar estas roupas, ela pegava as próprias penas das galinhas, passava pelo processo de higienização e colava nas vestimentas.

A dona de casa Maria do Socorro tem 37 anos e é mãe de seis filhos. A devoção pelo Divino Espírito Santo veio da crença de sua família onde, além do pai, os sete irmãos também participavam dos Caboclinhos. Hoje o grupo é composto por 29 integrantes, sendo 22 crianças e sete violeiros, inclusive seus filhos. O grande orgulho de Socorro é a participação da filha, que também é violeira.

“Pedi a Deus muita força para prosseguir essa missão. Consegui e faço com muito amor até hoje. Tenho certeza que o meu pai está muito feliz por saber que a tradição do seu grupo continua”, finaliza a cacicona.

Na edição desta quarta-feira (19) você vai conhecer a história da 2ª Marujada de Montes Claros, liderada pelo mestre Tone Cachoeira

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