Festejos de Agosto

A força dos catopês

Obra retrata papel dos catopês na preservação das tradições populares

Leonardo Queiroz
_leonardoqueiroz.onorte@gmail.com
Publicado em 11/08/2026 às 23:51.
O publicação evidencia a permanência dos Catopês nos Festejos de Agosto como uma forma de resistência cultural contra a burguesia (arquivo pessoal)
O publicação evidencia a permanência dos Catopês nos Festejos de Agosto como uma forma de resistência cultural contra a burguesia (arquivo pessoal)

Às vésperas de um dos períodos mais emblemáticos da cultura de Montes Claros, uma nova obra chega para ampliar o conhecimento sobre a história e o significado dos Festejos de Agosto. O livro “A Coexistência Protagonista dos Catopês no Processo de Distinção Social da Elite Montes-clarense: Ritual de Rebelião e Experiência de Englobamento na Vivência da Estética do Sagrado”, de autoria do pesquisador Harilson Ferreira de Souza, apresenta uma análise aprofundada sobre a trajetória dos Catopês e sua importância na preservação das tradições populares da cidade. 

O livro, lançado no início de agosto é resultado da tese de doutorado desenvolvida por Harilson Ferreira de Souza junto ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social (PPGDS), da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A pesquisa parte de uma ampla investigação histórica e documental para compreender como a sociedade montes-clarense se estruturou ao longo do processo de urbanização e modernização, evidenciando as relações entre poder, identidade cultural e religiosidade popular.

Sobre o prefácio da obra, o antropólogo João Batista de Almeida Costa ( Joba Costa ) destaca a relevância do estudo ao afirmar que o livro apresenta uma interpretação inovadora, apoiada em uma complexa base de dados e desenvolve uma leitura sobre o processo civilizatório norte-mineiro a partir de Montes Claros “ A avaliação reforça a contribuição acadêmica do trabalho, que ultrapassa os limites da pesquisa universitária e se transforma em um importante registro histórico sobre uma das manifestações culturais mais representativas da região”. 

Ao longo dos capítulos, o autor demonstra como as transformações sociais vividas por Montes Claros, especialmente entre os séculos XIX e XX, foram acompanhadas por tentativas da elite local de estabelecer padrões de comportamento considerados refinados, criando mecanismos de distinção social em relação às camadas populares. Nesse cenário, os Festejos de Agosto tornaram-se também um espaço de disputas simbólicas entre diferentes grupos sociais.

É justamente nesse contexto que os Catopês assumem papel central na narrativa construída por Harilson Ferreira de Souza. A obra mostra que, apesar das tentativas de intervenção e de reorganização dos festejos por parte da burguesia da época, os Ternos de Catopês conseguiram preservar seu protagonismo na condução dos rituais religiosos e culturais. Mais do que participantes da festa, eles permaneceram como guardiões de uma tradição secular, mantendo vivos elementos da religiosidade afro-brasileira e da identidade cultural montes-clarense.

O estudo também evidencia que a permanência dos Catopês nos Festejos de Agosto representa uma forma de resistência cultural. Enquanto diferentes setores buscavam redefinir os significados da celebração, os grupos tradicionais mantiveram práticas, símbolos, cantos, instrumentos e rituais transmitidos entre gerações. Dessa maneira, os festejos consolidaram-se como um espaço de coexistência entre diferentes visões de mundo, preservando características que ainda hoje fazem da celebração um dos maiores patrimônios culturais de Minas Gerais.

Em Montes Claros, o livro pode ser adquirido pela Farol Cultural Brasil por R$ 140,00. 

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