Terezinha Campos nasceu em Montes Claros aos 18 dias do mês de setembro de 1945. “Graças a Deus, porque amo esse torrão”, diz a escritora. É professora aposentada com 40 anos de magistério sendo 25 anos na rede estadual de ensino e 15 na rede particular. “Com orgulho”, conta.

No último dia 2 de dezembro, a escritora tomou posse como presidente da Academia Feminina de Letras (AFL) de Montes Claros. A instituição, fundada em 29 de julho de 2009, foi idealizada pela saudosa professora Yvonne de Oliveira Silveira, conhecida pelo seu imenso trabalho em prol da cultura de Montes Claros.
 
Como é presidir a Academia Feminina de Letras?
É congregar intelectuais e estudiosos da língua portuguesa, enaltecer a literatura e cultivar a cultura de nossa região. O lançamento de livros próprios ou alheios, a promoção de saraus poéticos, apoio e presença em momentos culturais da cidade mostram a relevância do trabalho da AFL de Montes Claros.
 
Na sua opinião, como está atualmente a disseminação da cultura norte-mineira?
A cultura norte-mineira, por si, só já se espalha, já se propaga por todos os recantos da região, do Estado e do país, alcançando culturas estrangeiras, através de intercâmbios intelectuais numa troca de experiências enriquecedoras num fluxo constante e contínuo desde o artesanato, as comidas, as performances literárias, as danças, as cantigas.
 
Quais são os desafios para o biênio 2020/2021?
Pretendemos e vamos conseguir com a bênção de Deus editar uma Antologia a cada ano, conservando assim a proposta da Academia, através da antologista Marta Verônica. Lançamentos de livros pelas confreiras e outras pessoas da cidade e/ou região; envolver-nos com promoções culturais da cidade assistindo a esses momentos; convencionar a frequência de alunos à Biblioteca do Autor Montes-clarense, fundada pela então presidente Felicidade Patrocínio, com o apoio do Grupo Minas Brasil e de todas as confreiras da AFL. Esses são alguns desafios e outros vão surgindo, por certo.
 
Na sua trajetória profissional e pessoal, você é bem decidida. Se pudesse voltar no tempo, o que deixaria de fazer?
Desacreditar em mim mesma; olvidar a opinião do outro quanto à subestimação de meus valores; deixaria de ser o que o outro quis que eu fosse, deixando prevalecer a sua ideia. Mas hoje eu sou assim tão determinada porque as avalanches que me sobrevieram me ensinaram a ser eu mesma, enfrentando as situações com galhardia, olhando além e acima dos percalços. Aprendi que os seres humanos somos assim: vaidosos, autossuficientes, mas há um Deus que nos redime e transforma. 
 
A sua posse foi muito prestigiada. Boa música, autoridades, família, amigos. Como você se sentiu no dia de sua posse?
Foi um momento de grande emoção. Minha família, meus amigos, e ex-colegas, que se transformaram em amigas. Embora com chuva, eles estavam lá, inclusive um dos componentes do trio da Banda do 10º BI foi meu aluno. Mas amigos, ex-alunos e família são todos família.
 
Em que o número de acadêmicas é fundamentado?
A AFL de Montes Claros, a exemplo da Academia Brasileira de Letras, foi inspirada na Academia Francesa, com 40 cadeiras e 40 patronos, que são pessoas importantes, já falecidas de gerações literárias anteriores. O termo academia remonta à Academia de Platão, escola fundada pelo célebre filósofo grego situada nos jardins, que um dia teriam pertencido ao herói Akademus (donde vem o nome ). Ali buscava-se pela dialética socrática o saber pelo questionamento e pelo debate. Ao contrário da Escola de Isócrates, onde o conhecimento consistia na mera repetição do saber.
 
Qual a importância para o Norte de Minas reunir tantos nomes na AFL? E como é feita a seleção?
A seleção dos nomes baseia-se na arte de escrever, no gosto e na difusão da leitura e da escrita; publicação de livros, publicação em jornais e revistas e comprometimento com a Academia e com a Literatura.