Andreza Lima
- Repórter
Na segunda reportagem especial sobre as festas de Agosto, O Norte conta a história do 2º grupo de Marujos de Montes Claros. Mesmo sendo dissidente do 1º Grupo, a marujada fundada pelo Mestre Miguel conseguiu estabelecer características próprias, vindo a contribuir com brilhantismo para a maior festa montes-clarense. Hoje sob o comando do Mestre Tone Cachoeira, a 2ª marujada apresenta sempre uma vivacidade peculiar, sendo um dos grupos que mais chamam atenção durante os desfiles.
Mestre Tone Cachoeira, o homem que reinventou a marujada
Chefe do 2° Grupo de Marujos, Antônio Ferreira participa e desfila dos cortejos desde os 18 anos. Ele tem um grande histórico nas Festas de Agosto. Foi integrante da 1° Marujada por 30 anos. Depois ficou um ano nos Catopês e logo após, decidiu formar o seu próprio grupo com o apoio do Mestre Miguel, que na época também era vice-presidente da Associação dos Grupos Catopês, Marujos e Caboclinhos.
Mestre Tone Cachoeira tem mais de 50 anos de festa e comanda o 2º grupo de Marujos de Montes Claros |
Antônio foi apelidado como Tone Cachoeira, por ser natural da cidade Cachoerinha/MG. O marujo sempre acompanhava seu irmão nos cortejos e foi através disso que ele entrou a Marujada. Uma vez, quando o grupo estava desfilando, um bêbado entrou na frente, atrapalhando o cortejo. Tone o retirou com educação e, vendo o ato solidário, o Mestre Nenzim agradeceu e o chamou para ser um soldado.
Mestre Miguel foi responsável pelo grupo por cinco anos. Após a morte de Miguel, Antônio assumiu seu lugar e continuou com a tradição. Hoje o seu grupo é composto por 39 integrantes, dentre eles quatro filhos e dois netos. “São dez anos batalhando para chegar a esse ponto, com meu próprio grupo, enfrentei muitos empecilhos, mas eu venci”, disse o mestre.
Antônio trabalhou como funcionário público na cidade por quase 50 anos. Depois que aposentou, teve mais tempo para dedicar-se ao seu grupo. Os preparativos da festa começam sempre no segundo sábado do mês de maio. Para diferenciar do outro grupo de marujos, ele escolheu as vestimentas iguais às fardas dos marinheiros: branco e azul. Além disso, todos os anos ele faz um remato depois do desfile, em sua casa.
Os filhos de Toni cresceram na marujada e foi com o apoio e ajuda da família que ele consegue desfilar todos os anos. O seu neto, com três anos já tinha aprendido a tocar cavaquinho, hoje ele tem onze anos e já conduz o o maestro do grupo.
“É uma honra muito grande ser devoto do Divino Espiríto Santo, sinto prazer em trabalhar com isso, de participar do cortejo das Festas de Agosto todos os anos. Enquanto Deus me der saúde continuarei no grupo”, finaliza Antônio.
A representação da marujada
As histórias de marujos surgem na epopeia da Nau Catarineta, um poema que possivelmente foi inspirado na tumultuada viagem do navio Santo Antônio. A história narra as desventuras dos tripulantes na longa travessia marítima, os mantimentos que esgotaram, a presença de tentação diabólica e, afinal, a intervenção divina, que guia a nau a seu destino. Os ritmos que caracterizam os Marujos são os fandangos, com pandeiros e rebecas, o violão, o cavaquinho e a viola. Representando a tradição portuguesa, o santo homenageado pelos Marujos é o Divino Espírito Santo.
Na edição desta quinta-feira (20), você vai poder conhecer mais sobre o 1º Grupo de Marujos de Montes Claros, liderado pelo mestre Tim.