Reflexão e questionamento na pauta deste sábado de aleluia com o filme A Última Tentação de Cristo, exibido pelo Cinema Comentado



Jerúsia Arruda


Repórter


jerusia@onorte.net



A Cultura é um instrumento de relações sociais e é através dela que podemos perceber valores e significados no comportamento das pessoas, de grupos sociais, e de como as relações se estabelecem.



Mas a manifestação cultural não deve ser confundida com evento, entretenimento supérfluo. Ao contrário, ela representa o espelho da alma humana, e quanto maior a abrangência simbólica sobre a produção social, maior será sua articulação na sociedade.



Há quase cinco anos acontece em Montes Claros o projeto Cinema Comentado que desde a primeira sessão vem promovendo uma discussão sobre diversos temas, relacionados ao registro histórico de um país, de uma época, de uma geração, de um diretor revolucionário, criando, assim, a oportunidade do público ir além da magia sedutora do cinema e do prazer que proporciona para entender melhor as mensagens subliminares que estes encerram, bem como o processo de produção, seus valores e significados.



Com Mostras temáticas e bate-papo após as sessões, o projeto é um oportunidade de o espectador se perceber como cidadão fruto de condicionantes culturais e históricas, o que pode ser entendido como uma luta contra a resignação ou conformismo com que a maioria das pessoas encara sua realidade, sobretudo, na conduta cultural.



Após o período de quaresma, muitas pessoas, talvez inconscientemente, fazem o inevitável questionamento sobre fé, espiritualidade e religiosidade. Na catarse dessa reflexão, o Cinema Comentado inicia uma discussão sobre os grandes diretores da sétima arte com a mostra O Épico no Cinema, apresentando, neste sábado, o filme do americano Martin Scorsese, A Última Tentação de Cristo.



Baseado no romance homônimo de Nikos Kazantzakis, o longa de 1988 é um dos mais polêmicos filmes religiosos, com conteúdo rico, contestador e complexo, que fomenta ainda mais esse questionamento aflorado pela quaresma.



No livro, Kazantzakis faz uma interessante análise sobre a eterna batalha entre carne e espírito, e o roteiro de Paul Schrader resgata com fidelidade essa idéia e a transposta para a tela.



O filme narra os últimos anos de um Jesus Cristo angustiado, inseguro, em conflito com sua própria natureza, que tenta descobrir sua missão na terra, sua relação com Judas, seu amor por Maria Madalena e as tentações que enfrentou para escolher entre sua natureza humana e a missão divina.



Proibido por algum tempo no Brasil, liberado sob protestos, o filme que provoca e incomoda o espectador é considerado por críticos de todo mundo como uma verdadeira obra de arte.



A Última Tentação de Cristo abre a mostra O Épico no Cinema do Cinema Comentado, neste sábado, 7 de abril, às 19h, na sala Geraldo Freire, ao lado da Câmara Municipal. A entrada é gratuita.



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A Última Tentação de Cristo


Sábado, 7 de abril, às 19h, na sala Geraldo Freire, ao lado da câmara municipal. A entrada é gratuita.