A graça de ter uma família amante da música fez toda a diferença na formação da intérprete e cantora montes-clarense Ângela Evans. A artista cresceu absorvendo o que a mãe gostava de ouvir, como Dalva de Oliveira, e com o pai, o bom e velho samba, especialmente a cantora Clara Nunes. Como os irmãos não foi diferente. Aprendeu com eles a apreciar a música de Milton Nascimento, Toquinho e Vinicius.

“Neste ambiente musical fui influenciada pelo pop de Michael Jackson, o rock de Janis Joplin (desafio de soltar a voz sem medo) e a delicadeza de Elis Regina, a grande professora”, conta Ângela Evans que, aos 46 anos coleciona 30 de carreira.

A artista é a atração deste domingo (25) na série cultural on-line “Cultive.com”, idealizada e produzida pela produtora cultural Berenice Chaves. A série, que estreou em setembro, via YouTube, apresenta gêneros artísticos como música, dança, artes plásticas e literatura com renomados artistas mineiros e brasileiros.

Nosso bate-papo desta semana é com Ângela, que conta um pouco sobre sua participação na série, carreira e projetos futuros.
 
Sobre seus dois álbuns gravados: qual deles te marcou de maneira especial?
Os dois foram marcantes pela importância na minha trajetória. O primeiro, “Marítima”, com arranjos de Juarez Moreira, desenha, pelo repertório, minha origem em “Luz do Sertão”, passando pelos compositores, em sua maioria mineiros, até o desejo de abrir fronteiras com a faixa título, uma bossa elegante e internacional. O segundo, “Um pouco de morro, outro tanto cidade, sim” já foi todo feito com o cheiro de mar, gravado no Rio de Janeiro, com compositores sambistas, arranjos de Cristóvão Bastos, dueto com o saudoso Wilson das Neves. Chamou a atenção de Hermínio Bello de Carvalho, que ampliou horizontes com a distribuição pela gravadora Biscoito Fino.
 
A série “Cultive” é produzida pela também montes-clarense Berenice Chaves. Como vocês se conheceram e como foi o convite para participar do evento?
Conheci Berenice através de Jorge Takahashi, compositor que abriu a série Cultive. Jorge é um amigo de longa data, meus primeiros trabalhos foram com ele, gravamos muitos jingles, defendi música dele no Festival Canta Minas, em Juiz de Fora, há quase 30 anos. Recentemente gravei uma parceria dele com Antonio Carlos Ferreira – “ I’m changed to better” – para seu novíssimo álbum, primeiro registro meu cantando em inglês, feito em um disco, depois de cantar a vida inteira música internacional (risos). Ele fez a ponte e ela gostou bastante também depois que ouviu as faixas que gravei no meu primeiro CD, que são de autoria de Yuri Poppof: “Luz do Sertão” e “Ella”, um tributo a Ella Fitzgerald.
 
O que você espera desse projeto on-line e como você está lidando com os eventos via internet?
É uma alegria fazer parte de um projeto que envolve nomes selecionados, é uma valorização da nossa arte, e sempre que fazemos nosso trabalho com zelo, os frutos vêm, assim como foi esse convite superespecial. Espero que esse projeto possa render outros eventos culturais que sempre tive o desejo de participar, e também shows internacionais para plateias apreciadoras da boa música, que estão muito presentes na internet. Os eventos on-line são a nossa mídia particular e independente, e ganharam destaque nesses tempos atuais. Eu já vinha utilizando e, agora, ainda mais. O bom é que temos mais material circulando pelo mundo.
 
Quais são seus próximos desafios?
Há um tempo venho observando as novas formas de produção de conteúdo, e quero dar sequência à ideia de lançar uma faixa nova, com frequência para meu público. Comecei com Cristóvão Bastos e Guto Wirtti, e tem novidade saindo do forno agora: a música “De vez em quando”, de Luciano Pacco e Antonio Carlos Ferreira, além de shows com Jorge Takahashi. Estamos desenvolvendo repertório e, em breve, devemos ganhar estrada.

SERVIÇO
Série Cultive on-line
DIA: 25/10
ONDE: www.youtube.com/Berenicechaves1
HORÁRIO: 20h