Dois irmãos, de 18 e 21 anos, responderão pelos crimes de fraude e estelionato cometidos durante a primeira etapa do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) em Montes Claros –realizada domingo. Houve flagrante de troca de provas dentro de uma das salas onde era aplicado o exame. Somadas, as penas podem chegar a 9 anos de prisão. 

Segundo a Polícia Federal em Montes Claros, os jovens realizavam a prova na mesma sala, na Escola Estadual Felício Pereira de Araújo, bairro Sumaré. 

A tentativa de fraude ocorreu no momento em que o rapaz de 21 anos pediu permissão ao aplicador para ir ao banheiro. O outro teria se aproveitado da distração de um dos examinadores para trocar as provas. 

A ação foi flagrada por um estudante da sala vizinha, que comunicou o ocorrido ao fiscal. A coordenação regional do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), realizadora do Enem, e a Polícia Militar, foram acionadas.

Para a coordenação regional do Inep, o irmão mais novo disse que é estudante de medicina em faculdade privada e que teria feito a inscrição no Enem na tentativa de ingressar em uma instituição pública.

Os irmãos tiveram as provas recolhidas pelos fiscais, foram eliminados do Enem 2017 e levados para a PF. Ambos prestaram depoimento na sede da corporação e foram liberados. 

A Polícia Federal vai concluir o inquérito e encaminhar ao Ministério Público Federal (MPF) para as medidas cabíveis.

A reportagem entrou em contato com o Inep, que confirmou a eliminação dos candidatos no exame deste ano. 
 
DADOS
Apesar do ocorrido em Montes Claros, as primeiras provas do Enem 2017 contabilizaram poucas eliminações. Foram 273 participantes eliminados, conforme o Inep. Em 2016, ao final do primeiro dia do exame, foram 3.942 eliminações, e outras 4.780 no segundo dia.

Ainda de acordo com o Inep, do total de eliminados, 264 teriam descumprido as regras gerais do edital e nove por porte de objetos proibidos identificados pelo sistema de detecção de metais.