Quatro suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em ataques a bancos no interior do Estado foram presos ontem durante uma força-tarefa das polícias Civil e Militar de Minas. As investigações começaram em setembro, após uma ação do grupo em Capitão Enéas. 

Segundo a polícia, mapear a movimentação da cidade e identificar a fragilidade de segurança de estabelecimentos bancários e rotas de fuga são algumas das estratégias utilizadas pelos bandidos.

“Cada um tinha uma função específica dentro do bando. Isso facilitava na hora de planejar os ataques”, destaca o chefe de Departamento da Polícia Civil, Renato Nunes Henriques. 

Entre os suspeitos presos ontem está um rapaz de 23 anos que já cumpria prisão em regime semiaberto. Ele, segundo as investigações, seria o responsável por “visitar” as localidades atacadas pelos criminosos em busca de informações. 

“O suspeito visitava as cidades, identificava onde eram os destacamentos policiais, quanto tempo a cidade ficava sem policial, as rotas de fuga e precariedade de sistema de segurança das agências bancárias”, explica o delegado. 

Os ataques sempre eram feitos com grande potencial bélico: armamento de grosso calibre e, em grande parte das vezes, produzidos em torneiros mecânicos da região.

“Para nossa surpresa, muitas armas que foram apreendidas eram de fabricação caseira e produzidas em zonas rurais da região. Os explosivos eram adquiridos de outras quadrilhas que roubavam empresas que detinham de autorização para uso e comercialização de dinamites na região”, esclarece o delegado Renato Nunes. 

VAI E VOLTA
As investigações que culminaram com a prisão dos suspeitos começou em setembro deste ano. 

“Na época, o suspeito de 23 anos foi baleado em confronto com a polícia e capturado. Ele acabou confessando a participação no ataque ao banco. A partir daí conseguimos mapear e identificar as ações dos demais integrantes do bando”, explica o subcoordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) MPMG, Flávio Márcio Lopes Pinheiro. 

O mesmo grupo havia sido preso em 2014 pela prática do mesmo crime. “Na época, parte do grupo foi identificada e presa por ataques a bancos da região, mas as ações eram em pequenas proporções e logo foi desarticulada”, diz Pinheiro. 

Os outros suspeitos presos na operação de ontem têm 26, 27 e 31 anos. Ainda de acordo com a polícia, outros dois homens seguem foragidos. A suspeita da polícia é a de que este grupo tenha praticado pelo menos quatro ataques a estabelecimentos bancários na região Norte de Minas.

A polícia não divulgou os valores roubados pela quadrilha na região e investiga para onde foi o dinheiro.

“Sabemos que uma parte dos valores roubados alimentava o tráfico de drogas e a aquisição de armamentos. Agora, queremos identificar quem são essas pessoas envolvidas nesses crimes”, explica o subcoordenador do Gaeco. 

 

 

A Polícia Militar informou que em 2016 foram registrados 31 casos de explosão de instituições bancárias. 
Em 2017, até o momento, foram 17. 
A redução é de 46%