Noventa e cinco por cento dos furtos e roubos praticados em Montes Claros têm como alvo o celular da vítima. A estimativa é do Ministério Público, que ontem realizou na cidade operação em parceria com a Polícia Militar para recuperar aparelhos levados por ladrões. A mesma ação incluiu um apelo para que a população não compre telefones sem nota fiscal, evitando, com isso, levar para casa uma mercadoria roubada de outra pessoa. 

“Antigamente, os infratores exigiam a carteira durante os roubos. Hoje, o celular representa 95% dos crimes de furto e roubo, pois é um produto fácil para repassar e até trocar por drogas”, diz o promotor Guilherme Roedel Fernandez Silva. 

Na operação de ontem – batizada de Grahan Bell, numa referência ao inventor do telefone –, 23 celulares roubados em Montes Claros em 2016 e 2017 foram apreendidos. Por dia, a cidade registra média de 13 celulares furtados. 

Os celulares foram localizados por meio das operadoras de telefonia, que rastrearam os aparelhos com a Identificação Internacional de Equipamento Móvel (Imei), um grupo de números para cada telefone que, geralmente, fica atrás do equipamento. Não houve presos 

As investigações começaram no segundo semestre de 2017. Segundo a PM, em 2016, foram registrados 5.383 roubos ou furtos de celulares na cidade; em 2017, o número caiu para 4.690. Os telefones eram vendidos em grupos na internet e até em lojas físicas na cidade. 

Os suspeitos também retiravam peças dos aparelhos e repassavam para lojas de manutenção. As investigações ainda apontam que os celulares recuperados foram adquiridos por pessoas de boa-fé, a preço de mercado.