Uma vacina contra o vírus da zika, desenvolvida pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) do Pará, apresentou resultado positivo nos testes em camundongos e macacos. A aplicação de uma única dose preveniu a transmissão da doença nos animais e, durante a gestação, o contágio dos filhotes. Os dados foram divulgados ontem pela revista americana Nature Communications.

Os testes foram realizados simultaneamente nas universidades do Texas e de Washington, nos Estados Unidos – instituições parceiras na pesquisa. “É um dos mais avançados estudos para a oferta de uma futura vacina contra a doença para proteger mulheres e crianças da microcefalia e outras alterações neurológicas causadas pelo vírus”, informou o Ministério da Saúde.

O objetivo do estudo foi impedir que a zika cause microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central dos bichos. Fêmeas de camundongos que não receberam a vacina tiveram aborto por conta da transmissão do vírus ou seus filhotes nasceram com alterações neurológicas.
Os exames em humanos devem ser realizados a partir de 2019 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
 
ESTERILIDADE EM MACHOS
Além dos testes em fêmeas, foram feitos procedimentos em camundongos machos. Um dos achados científicos inéditos é que o vírus pode ser capaz de causar esterilidade. A infecção nos animais reduziu consideravelmente a quantidade de espermatozoides, a mobilidade deles (ficaram praticamente imóveis) e o tamanho dos testículos (atrofia). Esses exames não foram realizados nos macacos.

No entanto, segundo o Ministério da Saúde, não é possível afirmar que o efeito também se aplique aos seres humanos. Mais estudos serão necessários. Os testes da vacina, entretanto, também tiveram sucesso na proteção dos camundongos machos.

A pesquisa ainda não chegou a testar a capacidade dos animais de engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Por isso, ainda não é possível apontar o impacto de esterilização nesses animais.

A parceria entre o IEC e os institutos norte-americanos para a pesquisa foi firmada em fevereiro de 2016, a partir de acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika.

O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões até 2021 para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, capaz de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção. (Agência Brasil)