O inverno chegou e, com ele, o período mais seco que favorece a proliferação do carrapato-estrela, artrópode que transmite a febre maculosa, doença que pode levar à morte. Com uma população maior e, ao mesmo tempo, com o capim seco, o que diminui a disponibilidade dos hospedeiros, o carrapato passa a procurar outros animais para picar: o homem está na lista das vítimas. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), até a semana passada havia sete registros da doença no Estado, com mortes em dois dos casos. As notificações foram feitas nas cidades de Caratinga, no Vale do Aço, Bicas e Tombos, na Zona da Mata, São Gotardo, no Alto Paranaíba, Paraisópolis, no Sul de Minas, e Itabira e São Domingos do Prata, na região Central.

Em Belo Horizonte foi registrada, na semana passada, a primeira morte pela enfermidade em uma pessoa residente na cidade neste ano. O local provável de infecção do paciente, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foi outro município.

Em 2017, foram registrados 34 casos de febre maculosa em Minas, sendo que 18 deles evoluíram para a morte. Na capital, no ano passado, foram confirmados quatro casos, sendo três deles com óbitos.

Causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, a febre maculosa é transmitida ao homem pela picada de carrapatos infectados. Embora casos da doença possam ocorrer durante todo o ano, é no período seco, especialmente entre os meses de junho e novembro, que eles ocorrem com maior frequência.
 
NA CIDADE
A coordenadora de Zoonoses e Vigilância de Fatores de Riscos Biológicos da SES, Mariana Gontijo de Brito, explica que a doença tem sido registrada não somente em áreas rurais, como também em regiões urbanas.

“Eles podem ser encontrados em equídeos, roedores, capivaras, marsupiais, cães e outros animais”, diz.

A coordenadora alerta ainda que a população de carrapatos aumenta em determinada área em razão da disponibilidade desses animais e de condições ambientais favoráveis, como presença de pastos “sujos” e vegetação favorável ao crescimento e reprodução do carrapato.

Diante de contato com áreas favoráveis à presença de carrapatos, a recomendação é que inspeções no corpo sejam realizadas em intervalos curtos de tempo, pois quanto antes os carrapatos forem identificados e retirados do corpo, menor a chance de transmissão da doença.

A doença se manifesta de forma aguda por meio de sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar, náuseas e vômitos. Pode ocorrer uma erupção cutânea, frequentemente com pele escurecida ou incrustada no local da picada do carrapato.

“O diagnóstico tardio é um dos fatores que elevam a gravidade da doença. Assim, é fundamental que, diante de sintomas da doença após a estadia em locais com grandes chances de infestação de carrapatos, o paciente procure imediatamente o serviço de saúde”, enfatiza Mariana Gontijo.

A doença se manifesta por sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar, náuseas e vômitos