Ao contrário de outras cidades de Minas, Montes Claros não foi afetada pelo desabastecimento da vacina contra a meningite C –situação mostrada pelo O NORTE na edição do último dia 3. O setor de imunização da Secretaria Municipal de Saúde informou que todas as doses solicitadas foram entregues. No entanto, as vacinas estão sobrando nos postos de saúde da cidade e a cobertura vacinal de crianças de até um ano não chega a 64%. Índice muito mais crítico entre os adolescentes – 18,4% na faixa dos 12 anos e 5,44% nos de 13 anos –, idade em que é necessário dose de reforço.

A situação preocupa porque é justamente no inverno que os casos de meningite bacteriana são mais comuns.

Mais uma vez, na avaliação dos especialistas, os pais estão negligenciando a proteção dos filhos, principalmente quando estão maiores.

“Os meningococos, bactérias que causam a doença meningocócica, podem ser transmitidos para outras pessoas por meio do contato direto com gotículas respiratórias através de tosse, espirro, beijo, beber no mesmo copo ou comer com talheres de outra pessoa”, explica o infectologista Fernando Barreto. 

Existem seis tipos de meningite: viral, bacteriana, fúngica, medicamentosa, carcinomatosa e inflamatória. O SUS dá gratuitamente somente a vacina de meningite do tipo bacteriana (C), que é o sorogrupo mais frequente no Brasil e considerada a mais grave. 

“A doença pode ocorrer em pessoas de qualquer faixa etária, porém é mais comum em crianças até 5 anos e mais rara em idosos. Por isso, é muito importante proteger as crianças nos primeiros anos de vida”, ressalta o médico. No entanto, isso não quer dizer que os adolescentes não devem receber a imunização.

A vacina contra meningite C deve ser aplicada aos três e cinco meses de vida, um reforço aos 12 meses e outro na adolescência. Todas disponibilizadas na rede pública.

Há outras doses que protegem contra tipos diferentes da doença, mas apenas na rede privada. O preço gira em torno de R$ 350 cada.
 
INCIDÊNCIA
Nenhum caso de meningite foi notificado pela Superintendência Regional de Saúde nos últimos cinco anos em Montes Claros. Em 2012, 18 pessoas tiveram a doença e, em 2013, 14 casos foram confirmados.

Mas em Minas foram 16 registros neste ano, com cinco óbitos. Deixar de vacinar a população contra uma enfermidade altamente contagiosa favorece o aparecimento de surtos, avalia a infectologista Tânia Mara Marcial.