Pelo menos 44 casos da síndrome mão-pé-boca já foram registrados em Montes Claros. É o que aponta o setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde. 

Os contaminados são crianças de 1 a 4 anos e adultos de 30 a 34 anos. Mas o órgão não soube quantificar os casos em cada faixa etária. 

A síndrome é causada pelo Coxsackie, da família dos enterovírus, e é caracterizada por lesões e bolhas nas mãos, pés e boca, além de febre e dor de garganta.

Os casos da doença mais que triplicaram em apenas dois meses em Minas. Balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) aponta 577 doentes de janeiro até junho deste ano. Em abril, eram 154.

Já o número de cidades que tiveram surto da doença nos últimos 60 dias quase triplicou, passando de seis para 24. Só em São João del-Rei, no Campo das Vertentes, 144 pessoas tiveram a enfermidade. Em Varginha, no Sul, 126. Em Belo Horizonte, até agora, foram 35 casos.

O pediatra Renato Alves da Silva, que atende no Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira, explica que crianças do sexo masculino são mais propícias para ter a doença. 

“As crianças são mais suscetíveis de ter a doença, principalmente os meninos, pois ainda não têm a imunidade formada. Porém, a doença pode atingir todos os sexos, e inclusive os adultos. Esse possível surto que estamos vendo é devido ao período frio. A síndrome é sazonal e causa febre e ferida nos lábios, amídalas, bochechas, pé e também nas nádegas”, afirma o pediatra.

O médico ainda explica que o leite materno aumenta a imunidade da criança, protegendo o bebê de diversas doenças, incluindo a síndrome mão-pé-boca. 

“Aconselho sempre a colocar as crianças na escola o mais tarde possível, pelo menos até a imunidade delas firmar. Nas creches e escolinhas é quase impossível evitar a síndrome mão-pé-boca – uma criança pega a chupeta da outra, mamadeira e isso contribui para o contágio”.

O técnico em informática Bruno Nunes contraiu a síndrome por contato com o sobrinho, que tem 2 anos. “Fiquei dez dias com as mãos e pés coçando, minha garganta parecia estar inflamada e o corpo fica mole igual quando pegamos uma gripe. Tomei antialérgico e banho de água fria para aliviar as coceiras”, conta.
 
TEMPORADA
Para a SES, o crescimento de relatos decorre da maior sensibilização dos profissionais da saúde para notificação dos surtos. Existe ainda, segundo a pasta, o fator da incidência mais recorrente no fim do outono e início do inverno. “Como a doença é sazonal, o número de casos pode variar ano a ano, conforme ocorre com outras doenças infecciosas”, informou o Estado, em nota.

Apesar do crescimento, o número de casos pode ser maior, uma vez que a doença não tem notificação compulsória e apenas as situações de surtos são comunicadas às secretarias de Saúde.
*Colaborou Liziane Lopes, do Hoje em Dia