Vacina das mais importantes do calendário de imunização das gestantes, a tríplice bacteriana (dTpa), que protege contra doenças graves como difteria, tétano e coqueluche, foi aplicada em apenas 37% das grávidas mineiras no ano passado. O número é baixo e próximo à média nacional, 38%, mas muito distante da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que objetiva alcançar 95% deste grupo.

Para tentar melhorar o quadro, especialistas acreditam que é preciso mais informação, tanto por parte da população, quanto dos profissionais de saúde. Por isso, na última semana, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou a campanha Calendário de Vacinação da Gestante: Um sucesso de proteção para mãe e filho.

“Vacinar gestante para proteger a criança é uma estratégia relativamente nova e, no geral, alcançar adultos é um desafio, porque temos ainda o conceito de que isso é para crianças”, explica o vice-presidente da SBIm, Renato Kfouri.

A iniciativa é uma parceria entre Ministério da Saúde, SBIm e as sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e Infectologia (SBI). Durante a campanha, serão distribuídos, nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país, folhetos, cartazes e material de apoio para os médicos, além de inserções em relógios de vias públicas.
 
RISCO
No período de gestação, a mulher está mais suscetível a infecções graves, que muitas vezes podem ser evitadas com a imunização, como no caso da gripe, que também é perigosa para o bebê. Já a coqueluche, que geralmente não se manifesta em adultos, pode ser fatal para a criança. 

“A mãe garante essa proteção, tanto porque os anticorpos ultrapassam a placenta e chegam ao bebê, quanto pelo leite, na amamentação. Há algumas doses que o recém-nascido só vai poder tomar meses após o nascimento”, detalha o vice-presidente da SBIm.

Além da tríplice bacteriana, as vacinas indicadas para todas as grávidas são a da hepatite B, a dupla bacteriana do tipo adulto (dT), que protege contra difteria e tétano, e a influenza (gripe), contra a qual 82% das gestantes mineiras foram imunizadas em 2017. Neste caso, a média nacional é de 79% e o objetivo do Ministério da Saúde é alcançar os 90%. Todas as doses são de vírus inativados e estão disponíveis nas redes pública e privada.
 
OUTRAS ENFERMIDADES
Para ajudar a prevenir outras doenças graves, como catapora, sarampo, caxumba e rubéola, as mulheres devem ser protegidas antes da gravidez, já que são feitas com vírus vivo, mas atenuado (enfraquecido), o que poderia levar a transmissão ao bebê. 

Este também é o caso da vacina contra a febre amarela, que em alguns casos pode ser aplicada. “Dependendo do nível de exposição da mulher, e pelo risco, a imunização acaba sendo indicada”, observa o médico Carlos Henrique Mascarenhas Silva, presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig).