O acesso a serviços básicos que são direitos de qualquer cidadão como emissão de documentos, exames de saúde, atendimento médico, psicológico e odontoló-gico foi dado a pessoas em situação de rua que vivem na capital mineira por meio da Rua do Respeito, ação que faz parte do projeto de integração social Rua de Direitos do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas).

O programa, que conta com a parceria com o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e o apoio do governo do Estado, levou aproximadamente mil pessoas ao Parque Municipal, na área central de Belo Horizonte.

Os moradores de rua receberam, ainda, orientação jurídica e previdenciária, corte de cabelo, café da manhã, almoço e lanche da tarde. Além disso, participaram de ampla programação cultural.
 
RESPEITO
Segundo a presidente do Servas, Carolina Pimentel, foi um dia em que deixaram de ser marginalizados e passaram a ser respeitados.

“É um projeto que nos dá muito orgulho, porque nossa proposta é estar sempre mais perto de quem mais precisa. O Rua do Respeito, por meio da ação Rua de Direitos, enxerga o invisível social, entendendo que a população em situação de rua tem os mesmos direitos que qualquer outro cidadão”, ressalta Carolina.

Na avaliação do diretor de Investimento Social do Servas, Rodrigo Fernandes, também foi um dia de muita alegria. “Conseguimos reunir uma grande quantidade de moradores em situação de rua na busca pelo resgate de direitos fundamentais. Tivemos equipamentos culturais como música, refeição diferenciada, rodas de conversa, entre outras atividades. A ideia, de fato, foi tratar a população com respeito e dignidade”, observou Fernandes.

Claudenice Rodrigues Lopes, educadora social da Pastoral de Rua, acredita na garantia dos serviços continuados. “Várias entidades se juntaram para prestar serviço à população de rua no sentido de fazer com que ela passe a fazer parte do cotidiano da cidade. A gente acredita e aposta muito na garantia de serviços continuados no sentido de garantir os direitos dessas pessoas”.

Demanda antiga é atendida por iniciativa
A novidade da Rua de Direitos foi o consultório odontológico itinerante do Servas. Uma van totalmente adaptada ofereceu aos moradores de rua tratamento dentário básico como limpeza, restauração simples e extração. Dentistas voluntárias da PUCMinas e do Sesc foram responsáveis pelo atendimento.

Esta é uma antiga demanda dos coletivos que trabalham em prol dessa população. “A nossa intenção é fazer esse tipo de atendimento semanalmente. Queremos estacionar a van perto de áreas com grande concentração de pessoas em situação de rua”, explica o diretor do Servas, Rodrigo Fernandes.

Para Alex Maciel, representante do Movimento Nacional das Pessoas em Situação de Rua, oferecer atendimento odontológico itinerante “está perto do ideal”. “Só não é o ideal porque ideal seria se elas fossem atendidas nos postos de saúde”, pondera.

A ação foi dedicada à essa população, mas também atendeu outras pessoas.  
 
CRESCIMENTO
Nos últimos quatro anos, a população de rua aumentou significativamente em BH. De acordo com levantamento da Prefeitura de Belo Horizonte, a capital tem 4.553 pessoas vivendo nas ruas da cidade. O último censo, de 2014, identificou 1.827. O número atual se equipara ao total de habitantes de 182 dos 853 municípios de Minas.