Após enfrentar a maior epidemia de febre amarela já registrada no Estado, Minas Gerais entra em alerta contra uma nova doença, a Febre do Nilo Ocidental (FNO). O vírus, com circulação já comprovada no Espírito Santo, pode levar a manifestações neurológicas graves, como encefalite, meningite e a Síndrome de Guillain-Barré, enfermidade que ataca o sistema nervoso e que também acomete vítimas do zika.

As secretarias de Saúde de Minas (SES-MG) e do Estado vizinho vão solicitar aos municípios maior cuidado na avaliação das notificações. “Estamos elaborando um alerta para os profissionais de saúde, com vistas a reforçar a atenção devido à possibilidade do aparecimento de casos suspeitos”, afirmou, em nota, a SES-MG. 

A preocupação se deve à confirmação da morte de um cavalo pela Febre do Nilo no Espírito Santo, na semana passada. A constatação foi feita por uma equipe de pesquisadores da Escola de Veterinária da UFMG. 

Segundo uma das profissionais envolvidas no trabalho, a veterinária especializada em virologia Érica Azevedo Costa, o grupo detectou a presença do vírus no animal por meio da análise de amostras do sistema nervoso central.

Pelos estudos, já descobriram que o vírus que circula no Estado vizinho é do tipo 1, o mesmo que gerou surtos em países como Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e Argentina.

Um surto no Brasil não é descartado por especialistas. Mas a maior parte acredita ser cedo para fazer conclusões. “É difícil prever como vai ser o comportamento da doença por aqui, porque depende da linhagem do pernilongo de cada região e a capacidade dele de transmissão. Mas, nos Estados Unidos, a disseminação foi rápida, chegando a 2 mil casos graves em um ano”, afirma a professora Erna Kroon, do Departamento de Microbiologia da UFMG. 

Em nota, o próprio Ministério da Saúde sugere cuidado com a situação. A pasta “recomenda que a rede de serviços do SUS deve manter o alerta para a vigilância de casos humanos e epizootias de cavalos e aves silvestres com suspeita de Febre do Nilo Ocidental”. Segundo a pasta, o único caso confirmado em brasileiros foi em 2014, no Piauí. 
 
FATAL
O diagnóstico da doença não é tão simples pelo fato de 80% dos contaminados sequer apresentarem sintomas. Em 20% dos casos, os sinais são parecidos com os de dengue, como febre, dores e manchas pelo corpo. Mas, para 1% dos infectados, a enfermidade pode até levar à morte. 

A prevenção ainda se baseia no uso de equipamentos individuais, como repelentes. Mas, segundo o virologista do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), Paolo Zanotto, uma vacina para prevenir o tipo 1 da doença está em fase de testes nos EUA.