Pesquisa aponta que falta suporte no ambiente de trabalho para as mulheres com câncer de mama. Segundo o levantamento, 78% das pacientes relataram que, após receberem o diagnóstico da doença, faltou apoio da empresa onde trabalham. Quase metade das mulheres entrevistadas (49%) disse que precisou abandonar o trabalho após o diagnóstico de câncer. Essa porcentagem sobe e atinge 58% na faixa etária entre os 36 anos e 45 anos.

A pesquisa Câncer de Mama Metastático: a voz das pacientes e da família foi realizada pelo Instituto Provokers em nove capitais (Belo Horizonte São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Curitiba e Porto Alegre). Foram ouvidos 170 pacientes e 240 familiares. De acordo com as participantes, quando existe algum tipo de suporte na empresa onde trabalham, na maioria das vezes está relacionado a uma flexibilização de horário ou permissão para se ausentar quando necessário.

Ao serem questionadas sobre a atividade que faziam antes de receberem o diagnóstico e que mais sentem falta, 48% mencionaram justamente o trabalho. Nenhuma das entrevistadas citou a existência de qualquer tipo de suporte específico para o tratamento oncológico em seus empregos.

As pacientes apontaram ainda dificuldades para manter a renda familiar que tinham antes do diagnóstico. Segundo a pesquisa, as dificuldades para manter a rotina de trabalho e os gastos associados ao tratamento reduzem em 38% a renda das pacientes usuárias do sistema público e em 15% para aquelas que se tratam por meio da rede privada. Como consequência disso, mais de um terço das mulheres ouvidas (36%) afirmam que usam suas próprias economias para custear o tratamento.
 
Familiares
A pesquisa mostra também que a percepção de sofrimento diante do diagnóstico de câncer de mama é maior entre os familiares do que pela própria paciente. Segundo o estudo, 88% dos familiares dizem que experimentaram muito sofrimento ao receber a informação, enquanto isso ocorreu com 72% das pacientes.

Mesmo fragilizada, a família ainda é a maior fonte de apoio para as pacientes. Para quase um terço das entrevistadas (29%), o companheiro é a principal fonte de apoio, seguida pelos filhos (28%), irmãos (14%), amigos (4%) e ex-marido (1%).

“Quando a família se vê diante de uma doença como essa, é claro que todas as atenções se voltam para a paciente. Mas é preciso olhar com mais atenção para o familiar que, embora profundamente abalado com a descoberta de uma doença tão grave em alguém que ama, tenta se manter firme para fornecer o apoio que esperam dele naquele momento”, explica Paula Kioroglo, psicóloga do Hospital Sírio-Libanês e psico-oncologista pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia.
(Com Agência Brasil)