SÃO PAULO – O incômodo e o desconforto sentidos pelas mulheres antes e durante o período menstrual são os grandes motivadores para a maioria delas declarar antipatia pelo ciclo mensal.

Uma pesquisa do Datafolha, realizada a pedido da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com a indústria farmacêutica Bayer, mostrou que 55% das mais de 2.000 entrevistadas em oito capitais brasileiras, incluindo Belo Horizonte, não gostam de menstruar todos os meses.

Além dos dois primeiros motivos, apontados por 52% delas, as cólicas são um problema para 46% dessa parcela da população feminina de faixa etária entre 18 e 35 anos.

Para o presidente da Febrasgo, o ginecologista e obstetra César Fernandes, o levantamento apresentou dados significativos. “Um terço das mulheres afirmou que gostaria de nunca menstruar, tamanho é o transtorno que isso causa na vida delas”, expõe.

Irritabilidade, sangramento em excesso e impactos importantes na rotina foram citados por várias delas.  
 
CONTRAPONTO
Apesar do posicionamento contrário ao ciclo menstrual, há também uma fatia significativa da amostragem que declarou gostar dos períodos, 45%.

Desse percentual, 39% destacaram como argumento o fato de se sentirem saudáveis e 25% por considerarem o ciclo algo natural. Outros 24% disseram ser o alívio da não gravidez o motivo do gostar da menstruação.

“A rejeição pela menstruação cresce conforme aumenta o grau de escolaridade, observou a pesquisa. São 47% entre as menos instruídas, ante 63% entre as mais com maior grau de escolaridade”, coloca César Fernandes.
 
EXPERIÊNCIA
Dentre as entrevistadas, 85% afirmaram ter o ciclo mensal. Deste total, 49% declararam fazer uso de anticoncepcionais (ACOs) orais ou injetáveis regularmente. 

“É sempre bom destacar que a pílula é benéfica em vários pontos para além da contracepção. A mulher tem menos infecções genitais, menor chance de ter endometriose, miomas e cistos ovarianos, por exemplo”, afirma o ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein José Bento, conhecido pelas participações no programa Bem-Estar, da TV Globo.

Grande parcela, 74%, gostaria de obter o controle sobre quando virá a menstruação e não perderem programas de lazer na praia ou na piscina, viagens, ou terem impactos na vida sexual e afetiva.

Atualmente, o mercado oferece uma gama extensa de ACOs com 21 e 24 comprimidos e também em formatos de injeção e patch (adesivo). Há inclusive um DIU com liberação de hormônio e uma versão flexível de ACO que permite à mulher escolher quando irá menstruar. O produto vem acompanhado de aplicativo de celular.

Segundo a pesquisa, seis em cada dez brasileiras usam algum método para prevenir a gravidez. A pílula anticoncepcional é a opção mais comum (34%), seguida da injeção de hormônios (15%) e do preservativo (7%).