Os municípios com vacinas em estoque, com prazo de validade até março de 2018, poderão aplicar as doses em homens e mulheres entre 15 e 26 anos. A medida tem caráter temporário e já foi comunicada para gestores estaduais e municipais. A nova recomendação estende o prazo de vacinação para esse faixa etária, que inicialmente estava prevista para encerrar nas cidades que tinham estoques a vencer em setembro.

“A recomendação é que os municípios utilizem as vacinas com prazos de validade a expirar até que durem esses estoques, evitando um possível desperdício e dando a oportunidade para que essas outras faixas etárias possam usufruir dos benefícios proporcionados pela vacina”, destaca o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

A orientação aos gestores ressalta, ainda, que as pessoas de 15 a 26 anos que tomarem a primeira dose da vacina HPV neste período terão garantidas as doses subsequentes no SUS. Para essa faixa etária, o esquema vacinal é com três doses, com intervalo de zero, dois e seis meses. Com o fim dos estoques a vencer em março de 2018, a orientação do Ministério da Saúde é que a vacina continue sendo administrada apenas no público-alvo (9 a 15 anos).
 
CONTROLE
O Ministério da Saúde repassa mensalmente as vacinas aos estados, conforme solicitação local. Os estados, por sua vez, são responsáveis por distribuir as doses aos municípios para garantir a vacinação da população. Cabe ressaltar que o Ministério da Saúde recebe vacinas e medicamentos com o máximo de seis meses de fabricação. Vale destacar ainda que, todos os lotes existentes no estoque nacional, possuem validade para 2019.
 
ROTINA
A rotina de uso desta vacina no público-alvo, que é para meninos na faixa etária de 11 a 13 anos e meninas de 9 a 14 anos, deve ser mantida com duas doses, sendo aplicada com intervalo de seis meses entre elas.

A vacina HPV Quadrivalente é segura, eficaz e é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero, 4ª maior causa de morte entre as mulheres no Brasil. Nos homens protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus. (Com Agência Brasil)

Avanços no tratamento
Um laboratório brasileiro desenvolveu um método capaz de detectar se o HPV, vírus causador do câncer de colo de útero, está ativo no organismo da mulher infectada, condição que aumenta as chances da ocorrência de tumores. Atualmente, os exames analisam se a mulher já tem lesões em estágio inicial que lentamente podem transformar-se em um câncer.

O que os exames mais utilizados hoje não são capazes de detectar é se o vírus, quando presente, está ativo ou adormecido. Isso porque, embora o HPV esteja relacionado com diversos tipos de câncer, a maioria das pessoas contaminadas por ele nunca desenvolverá a doença.

Segundo o estudo, em uma pequena parcela de pacientes (10% a 20%), no entanto, o HPV não é eliminado espontaneamente. Nesses casos, ele consegue entrar nas células e bloquear os mecanismos de defesa que poderiam combatê-lo.
 
MÉTODO
O novo teste, apresentado há duas semanas no Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, consegue verificar se o vírus já iniciou a ação de bloqueio do sistema de defesa, indicando, assim, se há maior chance de ocorrência de alguns tipos de câncer. “Quando há essa transformação nas células, detectamos duas proteínas, a p16 e a Ki67. O teste, que leva o nome dessas proteínas, verifica justamente se elas estão positivas”, explica Adriana Bittencourt Campaner, gerente médica do Centro de Estudos e Pesquisas do Salomão Zoppi Diagnósticos, laboratório que desenvolveu o teste, e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O exame não é indicado para todas as pacientes com o vírus.