Dados consistentes encontrados por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco, no Recife, mostram que o pernilongo comum (Culex quinquefasciatus), tipicamente urbano, pode ser um dos transmissores do vírus zika, além do vetor já conhecido e temido Aedes aegypti.

Por meio de sequenciamento genético, os pesquisadores do Departamento de Entomologia da instituição descobriram que o zika consegue alcançar a glândula salivar do animal. Em laboratório, a equipe comprovou que o vírus é capaz de se replicar dentro do mosquito.

Os resultados do estudo foram publicados, ontem, na revista Emerging microbes & infections, do grupo Nature. O artigo é intitulado “Zika virus replication in the mosquito Culex quinquefasciatus in Brazil” e pode ser encontrado na íntegra na internet.
 
APROFUNDAMENTO
A pesquisa foi conduzida pela Fiocruz Pernambuco na Região Metropolitana do Recife, onde a população do Culex quinquefasciatus é cerca de vinte vezes maior do que a de Aedes aegypti.

De acordo com a instituição, o artigo “demonstra” a possibilidade de transmissão do vírus zika por meio do pernilongo na cidade e não somente pelo Aedes Aegypti.

O próximo passo é analisar “o conjunto das características fisiológicas e comportamentais, no ambiente natural, para entender o papel e a importância dessa espécie na transmissão do vírus zika”, informou a Fiocruz.

O genoma do zika já havia sido sequenciado em 2016 pelo Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, em parceria com pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia.