Uma dor absurda e a possibilidade de não conseguir realizar nem tarefas simples, como pentear os cabelos. Assim vivem muitas pessoas com artrite reumatoide, doença autoimune que prejudica as articulações e pode comprometer movimentos corriqueiros.

“Quando você vê que não está conseguindo fazer tarefas básicas, o emocional abala”, relata a nutricionista Raquel Bié, de 37 anos, que convive com a doença há sete. 

Novas opções de tratamento animam pacientes como ela e profissionais que lidam com a patologia. A expectativa é que medicamentos descobertos recentemente sejam mais efetivos e tenham menos efeitos colaterais.

Há a possibilidade de reduzir a quantidade de medicação também. “Tomo três medicamentos por dia. Um deles, injetável”, conta a nutricionista, que vê com bons olhos a possibilidade de amenizar os sintomas com apenas uma droga. 

“Os medicamentos são fundamentais no tratamento. É com esse recurso que conseguimos diminuir um pouco a inflamação e aliviar a dor intensa que acomete os pacientes”, explica o presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia (SMR), Ênio Ribeiro Reis. 

De acordo com o médico, as opções existentes hoje são antigas e, em alguns casos, não resolvem o problema. “Todas essas pesquisas são válidas, se levarmos em consideração a possibilidade de retardar ou amenizar os prejuízos da doença”, garante.
 
OPÇÕES
Conforme a SMR, existem no mercado pelo menos oito medicamentos para tratar a patologia. Como doença autoimune, a artrite ataca o próprio sistema imunológico como se as células fossem agentes prejudiciais ao corpo. 

Um dos novos remédios – o Upadacitinibe da farmacêutica AbbVie – atuaria na inibição de uma das proteínas mais atacadas, a JAK1. Ela está amplamente envolvida em funções celulares e imunológicas e esse bloqueio amenizaria as agressões. 

As consequências seguintes são benéficas. Com a queda, diminuem as dores e a progressão da doença pode se estabilizar. Esse componente está na quarta fase de pesquisa e ainda não há prazo para o início da comercialização.
 
ESTABILIZAÇÃO
Há 10 anos, a aposentada Mônica Lenira, de 64 anos, ex-coordenadora de um grupo de apoio a familiares de pacientes com a doença, tinha poucas opções. O filho, Gabriel Almeida, hoje com 21 anos, desenvolveu a doença ainda criança e era difícil explicar a ele o motivo de tantas dores por toda parte do corpo. 

“Ele sentia muita dor, era algo absurdo. Depois de muito tempo de tratamento, isso se estabilizou, mas ela ainda existe”, diz. Tomando medicamentos injetáveis, o jovem estudante se acostumou a doença, que não tem cura. “São adaptações. Ele precisou aprender a conviver com ela”, explica Lenira.

Dor, inchaço e calor nas articulações são os principais sintomas da artrite reumatoide