Uma equação matemática resultante da combinação de três marcadores presentes em amostras sanguíneas de homens foi responsável por uma recente e substancial mudança no diagnóstico do câncer de próstata. 

Com a entrada do Novembro Azul, volta-se a ressaltar a importância da detecção precoce da enfermidade para a sobrevida dos pacientes. Afinal, nove em cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata em estágio inicial têm garantia de sucesso no tratamento. 

Neste cenário, um exame laboratorial apurado pode ser um dos pontos-chave para uma detecção mais precisa e, também, para se evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias.

Neste ano, foi disponibilizado no Brasil um teste que pode reduzir em até 30% o número de biópsias prostáticas realizadas. Trata-se do Índice de Saúde da Próstata (PHI, do inglês Prostate Health Index).

A metodologia tradicional para detectar a enfermidade se dá pela alteração das enzimas PSA Total e PSA Livre e o toque retal realizado pelo urologista. O PHI soma uma terceira aferição, que é do p2PSA, realizando um cálculo matemático que vai evidenciar se o homem possui uma variação mais sugestiva de malignidade.

“O PHI permite que o urologista estratifique em baixo, médio e alto risco o paciente. Se o médico tem alguma dúvida, este exame consegue postergar a biópsia ou não”, afirma William Pedrosa, médico da assessoria científica do Hermes Pardini.

O especialista lembra que a biópsia é um procedimento invasivo e que pode provocar uma série de desconfortos ao paciente. 
 
CONSEQUÊNCIAS
O urologista Mateus Furtado, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, destaca que cerca de 75% das biópsias prostáticas realizadas têm resultado negativo para câncer. Por isso, ele aposta em exames como o PHI.

“O paciente que tem um PHI alterado, a biópsia é positiva em cerca de 70% dos casos. É uma inovação que acrescentou muito”, explica.

 

 

Esclareça dúvidas
No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, segundo os dados mais recentes de mortalidade do Inca. Durante o Novembro Azul, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta para a enfermidade e a importância de se procurar o médico para uma avaliação individualizada. Apesar dos avanços terapêuticos, cerca de 25% dos pacientes com câncer de próstata ainda morrem devido à doença. Atualmente, cerca de 20% ainda são diagnosticados em estágios avançados, embora um declínio importante tenha ocorrido nas últimas décadas em decorrência, principalmente, de políticas de rastreamento da doença e maior conscientização da população masculina.

“Uma forma de tratamento que vem ganhando volume nos últimos anos é a vigilância ativa, na qual não se trata um câncer de baixa agressividade, passamos apenas a acompanhar sua evolução em exames periódicos”, explica o presidente da SBU, Archimedes Nardozza.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir de 50 anos procurem um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles de etnia negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. Para esclarecer a doença, a entidade disponibilizou no portaldaurologia.org.br diversos textos e vídeos sobre o câncer de próstata.