Os números da dengue em Minas Gerais seguem em alta. Doze mortes em decorrência da doença são investigadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). De janeiro até agora, 22.717 pessoas podem ter sido acometidas pela enfermidade transmitida pelo Aedes aegypti.

Os dados constam em balanço divulgado na última terça-feira. O levantamento mostra, ainda, que nos últimos sete dias houve um aumento de 203 doentes.

Cinco óbitos já foram confirmados no território mineiro desde o início de 2018. As vítimas são de Contagem (Grande BH), Arcos, Conceição do Pará e Moema (região Centro-Oeste) e Uberaba (Triângulo).

Neste ano, a explosão de casos da doença no Estado ocorreu em abril, quando foram contabilizados 7.169 registros. Durante os 12 meses de 2017 foram 25.978 notificações.
 
ALERTA
Apesar de o período de chuva ter passado, o inverno não diminui a preocupação com os focos do Aedes. Minas registra, em méida, 124 casos de dengue por dia. 

“Temos um cenário preocupante no Estado, com a presença do vetor em quase todos os municípios e muitos com índice de infestação elevado”, informou a Secretaria de Estado de Saúde. 

O último Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LirAa) mostrou que quase 60% das cidades mineiras estão em estado de alerta ou risco para surtos de dengue, zika e chikungunya. O perigo ronda 492 localidades.
 
NORTE DO ESTADO
O número de pessoas com dengue em Montes Claros neste ano praticamente triplicou. Segundo o setor de Epidemiologia do município, foram registrados, de janeiro até meados de junho, 585 casos de dengue na cidade, contra 207 em todo o ano passado.

E quando é feita a análise do LirAa, a preocupação aumenta ainda mais. Índice divulgado pelo Ministério da Saúde em junho mostra que Montes Claros está entre as 44 cidades do Norte de Minas com maior risco de epidemia da doença.

De acordo com a pesquisa, a cidade está com índice de infestação em 8% – até 1% é considerado satisfatório, entre 1% e 3,9% é estado de alerta e, acima de 4%, risco de surto. Outros 28 municípios da região estão sob a mesma ameaça.

O LirAa é um mapeamento da presença de focos do mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya. 

Segundo o Centro de Controle de Zoonose (CCZ) de Montes Claros, em abril o órgão fez um levantamento de infestação que resultou em um índice de 7,3%. O coordenador do CCZ, Flamarion Cardoso, explica que o armazenamento de água em tambores é um dos principais causadores da proliferação do mosquito. 

Capitão Enéas aparece no topo do LirAa, com índice de infestação de 13,1%. Em seguida estão os municípios de Francisco Sá (12,4%), Lagoa dos Patos (10,3%), Ibiracatu (10%), Coração de Jesus (9,2%) e Bocaiuva (9%). 
 
RISCO
O número de criadouros do mosquito não é o único desafio. A predominância do tipo 2 do vírus entre as amostras analisadas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) complica o quadro. A maior parte dos mineiros que já ficou doente teve o tipo 1 da dengue, ou seja, não está imune ao outro subtipo. (Com Tatiana Lagôa e Christine Antonini)