O uso de contraceptivos orais é algo tão corriqueiro na vida das mulheres que, talvez, seja esse um dos motivos pelos quais muitas delas pulem etapas necessárias e se exponham a riscos na hora de começar a tomar a medicação. À primeira vista, os perigos podem parecer pequenos, mas existem. O principal deles é a trombose, patologia caracterizada pelo coágulo de sangue nas veias. 

Segundo recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o remédio deve ser adquirido com prescrição médica, sendo as receitas válidas por um ano. Após esse prazo, as mulheres devem retornar ao ginecologista para acompanhamento. Apesar da orientação, na análise de especialistas, o contraceptivo é usado de forma equivocada. 

“Pegam indicação com amigas e parentes e se esquecem que apenas o médico pode avaliar as indicações de cada caso. Temos uma infinidade de tipos do remédio e o ginecologista é quem sabe a melhor opção para a paciente”, destaca Márcio Hipólito Rodrigues, professor da Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e diretor da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig). 

O profissional observa que, sem a consulta, não há como saber sobre possíveis contraindicações. Além disso, Hipólito ressalta a necessidade de acompanhamento com um ginecologista pelo menos uma vez por ano.

Atitude que a jovem Bianca Reis, de 19 anos, não tomou desde que iniciou o tratamento com o anticoncepcional, há quatro anos. “A preocupação era mesmo no início, em qual seria o mais indicado. Como não mudei de medicamento, nem tive nenhuma alteração no corpo, não voltei ao consultório”, coloca.
 
CAUTELA
A relação entre trombose e anticoncepcional ainda não tem grandes comprovações científicas, mas a recomendação é de cautela. “Não é para qualquer uma parar de usar o contraceptivo apenas por causa dos registros e da relação existente, mas é indicado acompanhamento médico”, garante o presidente da regional Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV-MG), Rodrigo Daniel Moreialvar.

Com histórico da doença na família, a analista de mídias sociais Ana Gomes, de 25 anos, sempre se preocupou com o uso do medicamento. Quando esteve pela primeira vez no consultório, a indicação era de um anticoncepcional que não deixasse a menstruação descer. “Eu não me adaptei com esse tipo. Ficava muito inchada, tensa. Voltei à ginecologista e pedi que mudasse”, conta. 

Com o histórico da jovem em mãos, a médica indicou outro medicamento com baixo índice de estrogênio, hormônio que compõe a fórmula e está diretamente ligado à doença. 

Quem deve evitar 
– Mulheres que já tiveram trombose ou têm histórico da doença na família devem fazer avaliação médica e acompanhar o uso do anticoncepcional. Unir o medicamento à hereditariedade pode aumentar os riscos
 
 – Fumantes acima dos 35 anos também acumulam riscos, já que o tabaco é considerado um dos fatores para o desenvolvimento de coágulos no sangue. Com o hormônio prejudicando as paredes das veias e o cigarro comprometendo a circulação do sangue, a combinação pode prejudicar muito a usuária do medicamento
  
– Mulheres com diabetes também estão na lista das que devem evitar o anticoncepcional. A doença, por si só, já amplia as chances de trombose por causa dos prejuízos à circulação com inflamações nos vasos
  
– Hipertensas e mulheres com registros de câncer na família devem consultar um especialista para uma avaliação mais precisa. Pesquisas internacionais também indicam que há risco de maior incidência das duas patologias com o uso do remédio