O Norte de Minas registra 1.500 casos de doenças inflamatórias intestinais (DIIs), 500 em Montes Claros. A campanha Maio Roxo chama a atenção para males como Crohn e retocolite ulcerativa, patologias que chegam, muitas vezes, de forma silenciosa, com sintomas que podem durar semanas, meses ou anos, até que se chegue ao diagnóstico correto.

Para alertar a população montes-clarense sobre as DIIs, a clínica Gastrovida, com o apoio da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn), promove um evento amanhã, às 18h30, na praça dos Jatobás. Este será o 4º Maio Roxo com a participação de portadores, familiares e a população para troca de ideias e informações sobre as DIIs. 

Também estão previstas distribuição de brindes, aula de zumba, caminhada, atividade funcional e a presença de profissionais da saúde. Eles vão conscientizar e orientar sobre as doenças e a importância do diagnóstico precoce para o tratamento e, consequentemente, melhor qualidade de vida.   

HEREDITARIEDADE
As doenças inflamatórias intestinais podem estar ligadas a fatores hereditários e imunológicos, podendo ser agravadas por hábitos de vida. Elas acometem principalmente jovens, limitando temporária ou definitivamente suas ocupações habituais, influenciando o comportamento na escola, no trabalho, no relacionamento social e familiar, na autoimagem e na atividade sexual.

A doença de Crohn é uma inflamação crônica intestinal e pode se manifestar em qualquer parte do tubo digestivo (da boca ao ânus), sendo mais comum no final do intestino delgado e do grosso. 

Já a retocolite ulcerativa caracteriza-se por inflamação da mucosa do intestino grosso, e o reto quase sempre está afetado, sendo as vezes o único segmento. Não há lesões no intestino delgado, o que constitui característica da doença, muitas vezes sendo o fator primordial para diferenciá-la da doença de Crohn. 

Ambas enfermidades podem ter manifestações extraintestinais, como problemas oculares, articulares, pele, vias biliares e fígado. Nestes últimos, pode ocorrer a necessidade de transplantes do fígado. 

“Não há tratamento definitivo até o momento. Mas a doença pode ser bem controlada com medicamentos. Temos visto aumento dessas doenças no Brasil. Parte disso é que esses pacientes não tinham referência e, às vezes, demorava o diagnóstico”, afirma o médico Carlos Albeto Leal Valias. 

“Com o tratamento adequado consigo ter uma qualidade de vida melhor”, diz Bruno Nobre, portador da doença de Cronh.