Está prevista para ser votada hoje a PEC 28/2017, que regulamenta o serviço do aplicativo Uber, de transporte de passageiros. Temendo o fim do serviço, os motoristas fizeram manifestação em várias cidades do país, pedindo discussão sobre as novas regras, que incluem, entre outras medidas, a adoção de placas vermelhas nos carros e licença específica para o veículo rodar. Em Montes Claros, o protesto foi na Praça dos Jatobás. 

Ricardo Odon é um dos 1.200 motoristas que trabalham com o aplicativo na cidade. Há quatro meses no serviço, ele defende a permanência das regras atuais.

“A PEC é inviável. O que eles querem é transformar nossos carros particulares em táxis. Nós ganhamos por corrida e os taxistas ganham por deslocamento, então automaticamente já ganham mais. Faço uma média de 20 a 25 corridas por dia e é o emprego que tenho atualmente”, diz. 

Cícero Santos trabalha há 7 meses como motorista de uber e entende que as novas regras são autoritárias e podem tirar os profissionais do mercado. “Não fomos ouvidos. Não somos contra a regulamentação, mas estamos reivindicando o direito de opinar. O que estão impondo foge à proposta do aplicativo e o serviço pode realmente acabar”, afirma.

“Muitas famílias estão sendo mantidas com o dinheiro deste serviço. Com as regras, isso pode acabar. Só em Montes Claros são mais de mil pessoas trabalhando. Imagina isso numa cidade de maior porte”, argumenta. 

A empresa responsável entende a mudança como uma proibição velada ao serviço e chegou a emitir comunicado aos usuários sobre a possibilidade de acabar com o Uber, caso seja aprovada a PEC.