Os recursos investidos no município, principalmente nos setores de educação e saúde, estão abaixo do que é determinado por lei. Essa é a principal conclusão de vereadores ao analisar a prestação de contas feita ontem pela Prefeitura de Montes Claros.

Os parlamentares alegam que os dados do primeiro quadrimestre deste ano não são transparentes e não condizem com a realidade percebida na cidade. 

Segundo o vereador Daniel Dias, os recursos do Fundo da Educação Básica (Fundeb) não estão sendo totalmente aplicados no setor. “Estamos hoje com aplicação de 21,41% destes recursos em Montes Claros. O mínimo, preconizado por lei, é de 25%. O que eu peço é que esta verba possa ser usada na sua totalidade ao final do ano, para que possa melhorar a questão salarial dos servidores da educação”, declarou.
 
SAÚDE 
Daniel Dias e outros vereadores lamentaram a ausência da secretária de Saúde, Dulce Pimenta, que enviou representante. Os parlamentares questionaram os dados apresentados.

“Há uma inconsistência no sistema do que é demonstrado aqui e no que é demonstrado para o Ministério da Saúde. No consolidado sentimos a carência da planilha geral destes atendimentos e dos recursos detalhados. Pedi que a representante nos encaminhasse por e-mail para fazermos uma análise mais detalhada do quadro e assim exercer o nosso poder fiscalizador”, disse o vereador.

O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Marlon Xavier, considerou que há uma disparidade entre o que foi mostrado e a realidade da cidade.

“No histórico da atenção básica, por exemplo, foi mostrado um aumento de produção quatro vezes maior que a do ano de 2016. O número saltou de 334.905 para 1.430.823. Para isso ter acontecido, deveriam ter aumentado o número de médicos e agentes de saúde para prestar o serviço em todos os âmbitos do setor. E seguramente não foi o que aconteceu”.

Marlon anunciou que vai solicitar uma audiência pública com foco específico no Hospital Alpheu de Quadros. 

“O hospital virou um ‘postão’ de saúde, mas deveria ser um hospital de excelência, a exemplo do que existe em Bocaiuva, uma cidade muito menor, mas que presta um serviço de qualidade. Se o Alpheu de Quadros funcionasse bem, haveria um escoamento e teríamos uma melhora significativa de toda a saúde em Montes Claros”, pontuou.

A representante da Secretaria de Saúde, Maria Clara Lélis, informou que a prestação é dividida em três volumes. “O final traz um volume maior de informações porque se refere ao ano inteiro”.

De acordo com Maria Clara, a lei preconiza investimento de 15% no setor e o município teria investido 17%, o que representa cerca de R$ 25 milhões da arrecadação de R$ 142.856.324,77 do município.