Dias após proibir os professores de merendar nas escolas públicas, a Prefeitura de Montes Claros volta a ser motivo de polêmica. Foi publicado no “Diário Oficial Eletrônico” o resultado de uma concorrência para a contratação de empresas para fornecer lanches para o primeiro escalão das secretarias. O documento traz duas firmas como vencedoras e os valores dos contratos, somados, chegam aos R$ 2,48 milhões. O Executivo não se pronunciou.

O conteúdo do Extrato do Resultado de Pregão Para Registro de Preços n° 39/2017 especifica “uma futura e eventual contratação de empresa para fornecimento de lanches atendendo a demanda das secretarias do município”. O processo homologado em 23/08/2017 especifica que a vigência do contrato é de 12 meses a contar da data da assinatura da ata de registro de preços.

A professora M.J.S., ao tomar conhecimento do fato, ficou indignada. “É no mínimo uma incoerência deste prefeito. De novo ele dá uma bola fora. Nós damos o nosso suor e somos proibidos de merendar, enquanto os secretários, que mal cumprem o horário, terão merenda vip. Absurdo”, disse a educadora.

Já Marden Oliveira desabafou na rede. “O prefeito demitiu vigias, as escolas estão sucateadas e enquanto isso, gasta-se milhões em lanches”.

O NORTE foi até uma das empresas vencedoras consultar os preços e foi informado de que um café simples com pão francês sai por R$ 2,50. Portanto, o contrato com a prefeitura daria para servir 990 mil lanches simples. Numa outra padaria no Centro, um suco com salgado sai a R$ 2.

REPERCUSSÃO
O vereador Valcir Soares (PTB) disse que a prefeitura demonstra a falta de planejamento. Para o vereador, a questão deveria ser repensada. “O valor é muito alto e a situação é crítica. Enquanto um pai de família, às vezes, não consegue colocar nem o café na mesa, a prefeitura, que diz estar quebrada, corta o cafezinho dos garis, mas licita lanche para as secretarias”, afirmou.

Valcir faz uma sugestão à administração. “Se foi licitado, o lanche deveria ser repassado para aqueles que trabalham com limpeza e capina. São eles que gastam mais energia e precisam da alimentação”, disse.

A Assessoria de Comunicação da prefeitura foi procurada pela reportagem e se comprometeu a enviar nota, mas até o fechamento desta edição, O NORTE não havia recebido o posicionamento.

No Ministério Público Estadual, fomos informados de que a instituição só se manifesta a partir de uma denúncia formal e que é preciso que o documento chegue às mãos da promotoria para que seja aberta uma investigação.