Empresários e moradores da região não gostaram do resultado da construção do chamado Trevo da Real, entre os bairros Cintra e Delfino Magalhães. Inaugurado na semana passada, o cruzamento parece ter trazido mais prejuízos que benefícios para quem mora ou trabalha no local. 

Wanelle Gonzalez, proprietária de uma loja de materiais de proteção individual, reclama da proibição de parada em frente ao comércio dela. “É autorizado e tem placa de carga e descarga. Mas quando o pessoal estaciona para entregar a mercadoria os guardas da MCTrans aparecem para multar. Todos os fornecedores estão sofrendo com essa situação”, reclama.

Ela relata que em seis anos presenciou três acidentes no local e durante a realização das obras viu três acidentes em apenas dois dias. Com a conclusão, o perigo não acabou e ela teme por outros que possam acontecer em decorrência da falta de planejamento.

“O que eles disseram que (a obra) era para diminuir os acidentes, mas ela pode fazer com que aumente mais ainda o risco. A loja está praticamente em cima da curva e os caminhões geralmente excedem na carga. Pode acontecer uma tragédia aqui”, diz.
 
FALTA SINALIZAÇÃO
Enquanto sobram placas de parar e estacionar nas ruas circunvizinhas utilizadas para receber as conversões, falta sinalização nos pontos mais críticos do trevo. 

Ontem à tarde, um ciclista que vinha pela ciclovia foi atropelado por uma moto que atravessava a avenida. Sérgio Durães, comerciante do ramo hoteleiro na região, presenciou a situação. “A ciclovia termina antes do trevo e não há nenhum aviso. O ciclista não viu. O projeto foi mal feito”, critica. 

Sérgio revela que foi bastante prejudicado com a mudança e chegou a procurar a prefeitura com um abaixo-assinado nas mãos pedindo para que as conversões fossem mantidas, entretanto, recebeu como resposta que as mudanças só poderão ser efetivadas à medida que os problemas aparecerem.

“Obra mal organizada, acessos pouco visíveis e clientes sem conseguir chegar até nós. Este é o saldo do serviço”, diz o comerciante, que como muitos outros da região, se estabeleceu há mais de duas décadas no local para receber o público que passa pela cidade vindo da rodovia. “Depois da inauguração, os acessos para a avenida Coronel Luiz Maia estão complicados e a sinalização é deficiente. Infelizmente, o prejuízo continua”, lamenta. 
 
CONFUSÃO  
A falta de sinalização também incomodou Judith Oliveira, moradora da Rua Joaquim Bispo do Amaral, para onde foi desviado parte do trânsito que vem da BR–135. “Não entendo de trânsito, mas está tudo meio confuso. Se tivesse faixa de pedestre ou sinal a gente atravessaria com mais segurança. Os caminhões viram na rua para ir no sentido Centro e fica muito perigoso”, avalia.

O caminhoneiro Edney Moraes destaca que, para quem é da cidade, transitar pela região é possível, porém a falta de sinalização faz com que muitos colegas de fora fiquem perdidos. “Se eu fosse de outra cidade não saberia localizar o retorno. Não tem placas que identifiquem, e vi colegas de profissão com essa dificuldade”, pontua.

Procurada, a Prefeitura de Montes Claros não se pronunciou sobre as reclamações até o fechamento desta edição.