Um mês depois da tragédia que abalou o país, com repercussão no exterior, Janaúba volta à sua rotina. As crianças matriculadas na creche Gente Inocente, cenário do atentado, continuam os estudos em um prédio cedido pelo município. 

Nove crianças e quatro funcionários da creche continuam internados em Montes Claros e Belo Horizonte. No episódio, morreram nove crianças e dois adultos, incluindo o autor do atentado e a professora Heley de Abreu, que dará nome ao prédio que está sendo erguido no lugar do antigo. 

A construção é custeada por um grupo de empresários de Montes Claros e Janaúba. Enquanto isso, as crianças da Gente Inocente frequentam as aulas em outro bairro.

A secretária municipal de Educação, Luzia Angélica Santos, afirma que, aos poucos, a situação vai se resolvendo. “A dor não passou ainda. Estamos evitando homenagens e qualquer coisa que possa lembrar a tragédia, a fim de oferecer um ambiente de normalidade às crianças. Já temos aproximadamente 50 alunos frequentando as aulas e os pais voltaram a confiar na escola”, diz Luzia.

A secretária ressalta que, a partir do episódio, ficou o compromisso de fazer uma educação cada vez melhor. “Estamos detalhando principalmente a questão da infraestrutura. Quanto ao material dos alunos que foi recuperado, ainda não mexemos. Mais adiante pretendemos devolvê-los às famílias”.
 
TRAUMA
Depois de ficar internado por uma semana no CTI, Ycaro Rafael da Silva, de 4 anos, voltou a estudar. “Ele sempre gostou da escola. Eu precisei retornar ao serviço e ele voltou à creche, mas ainda está difícil. Às vezes, ele troca o dia pela noite e tem agonia, mas nós agradecemos a Deus todo dia por ter devolvido o nosso filho. O estado dele era muito grave. Foi a corrente de amizade e oração que o salvou”, revela a mãe do menino, Elisângela Silva.

Avô de 13 netos, Domingos Assunção comemora o que ele chama de “renascimento” da neta Maisa, de 6 anos, uma das alunas feridas no episódio. “Estamos levando uma vida que não é normal, mas tirando do coração a força para lutar. Minha netinha foi considerada morta, teve três paradas cardíacas e ficou internada oito dias no Hospital João XXIII. Ela renasceu, e quando recebeu alta foi a nossa maior alegria”, afirma.

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Doações já somam R$ 879 mil
A comoção pela tragédia de Janaúba tem estimulado a solidariedade dos moradores e de pessoas das mais diversas regiões que se uniram par arrecadar recursos para amenizar o sofrimento das crianças, profissionais e familiares vitimados pelo atentado.

O prefeito Carlos Isaíldon Mendes diz que as famílias têm recebido assistência tanto dos órgãos governamentais como da sociedade civil, que faz doações periódicas em uma conta bancária administrada pelo Ministério Público, em parceria com a prefeitura.

“Já arrecadamos R$ 879 mil. Fizemos o primeiro pagamento, que foi repassado em cheque ao beneficiário, preferencialmente à mãe. A contabilidade é fiscalizada pelo Ministério Público, que tem feito um trabalho extraordinário para acordo entre os pais e a prefeitura”, explica Isaíldon.

Segundo o prefeito, todos os funcionários que estavam presentes e todas as famílias com crianças matriculadas na creche estão recebendo o dinheiro. Os valores variam entre um e três salários mínimos.

“São três salários para as famílias que tiveram óbito, dois para quem teve queimaduras ou sequelas graves e um salário para os professores e famílias que não estão em nenhuma das duas situações, mas estão matriculadas na creche”, diz o prefeito.

RECURSOS FEDERAIS
O prefeito informou que dos R$ 6 milhões destinados pelo governo federal – R$ 3 milhões para a educação e outros R$ 3 milhões para a saúde –, R$ 1 milhão já foram liberados para cada setor.

O recurso será usado na construção de duas novas creches e outras demandas relacionadas à tragédia. O restante passa pelos trâmites legais e está sendo agilizado pelas equipes responsáveis. “A cidade está voltando ao normal”, ressalta Isaíldon.