A Fundação Hemominas mantém parcerias com universidades e instituições de pesquisa no país e no exterior, convênios de financiamento de pesquisa garantidos por agências de fomento nacionais e estrangeiras e a plena participação de voluntários

Com o objetivo de aprimorar o atendimento aos pacientes e doadores e atuar na prevenção de doenças que possam acometê-los, a Fundação Hemominas investe em pesquisas, combinando duas frentes: o gesto solidário de doadores voluntários e a busca pela excelência.

A Hemominas atua no estudo das doenças do sangue e na medicina transfusional. Muitas dessas pesquisas apresentam resultados que acabam sendo aplicados na melhoria do acompanhamento e tratamento dos pacientes e dos procedimentos envolvidos na produção de hemocomponentes.

“As pesquisas trazem novos conhecimentos que ajudam a entender as doenças e também resultam na melhoria de processos, atendimento e diagnóstico clínico e laboratorial de pacientes e doadores”, afirma Marina Lobato Martins, gerente de Desenvolvimento Técnico-Científico da Fundação Hemominas.

As pesquisas concentram-se nas áreas de Hematologia e Hemoterapia, e, recentemente, em células e tecidos.
 
PROPOSTA
Um exemplo é a tese de mestrado, ainda em curso, desenvolvida pela servidora Paula Passos Pederzoli. A proposta desenvolvida equipara dois modelos de testes de potência das células-tronco hematopoéticas (que possuem a capacidade de se autorrenovar e se diferenciar em células especializadas do tecido sanguíneo e células do sistema imune).

O estudo desenvolvido por Paula verifica a aplicação de um modelo que contribua para a liberação das células do sangue de cordão umbilical para o transplante de células-tronco, em menor espaço de tempo.

Atualmente, o ensaio clonogênico (que permite uma avaliação da capacidade das células de produzir mais), considerado o padrão ouro, demora 14 dias para ficar pronto. 

Se tudo chegar ao ponto em que pretende a pesquisadora, será possível substituí-lo por um teste mais simples e que pode ficar pronto em menos de um dia.

“A pesquisa está na fase final da coleta e na descrição dos dados. Caso seja comprovada a aplicabilidade do estudo, a expectativa é a redução dos custos e do tempo para ter a informação de que as células poderão ser utilizadas no transplante em questão”, explica a pesquisadora.

O estudo é de fundamental importância porque, se comprovados os efeitos esperados, garante melhor atendimento aos pacientes acometidos por grande parte das doenças hematológicas – as doenças do sangue, como a leucemia.

O Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais (Cetebio), unidade da Hemominas responsável por essa parte, oferece atendimento clínico à população mineira com a organização e manutenção do Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário e do Banco de Medula Óssea.

A instituição mantém convênios com vários hospitais e faz o controle de qualidade e a criopreser-vação das células-tronco hematopoéticas, além de outros procedimentos necessários para os transplantes.

Os resultados das pesquisas são compartilhados com os Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário públicos de todo o Brasil.


Identificando tipos sanguíneos
Entre os profissionais que desenvolvem estudos no campo da medicina transfusional, ou seja, a hemoterapia, está a pesquisadora Maria Clara Silva Malta, que busca identificar doadores de sangue raro para melhor atender aos pacientes portadores de tipos sanguíneos raros e que precisam de transfusão de sangue.

“O objetivo é o desenvolvimento e a avaliação de uma estratégia baseada em biologia molecular para a identificação de doadores de sangue com fenó-tipos eritrocitários raros (tipos sanguíneos determinados pela presença ou ausência de antígenos na superfície das hemácias). Avaliaremos se a estratégica pode ser usada na Hemominas para triagem de doadores”, explica.

No estudo “Análise Molecular de Grupos Sanguíneos em Doadores de Sangue para Identificação de Variantes Raras”, a pesquisadora destaca a existência de mais de 30 sistemas de grupos sanguíneos, sendo que cada um pode abarcar diversos antígenos.
 
PREMIADOS
Algumas pesquisas já foram premiadas e receberam o reconhecimento da comunidade científica. Entre elas, a tese de doutorado da médica Célia Maria Silva.

A pesquisa sobre anemia falciforme, iniciada em 2002, apresentou importantes resultados e foi o ponto de partida para implantação do exame Doppler Transcraniano, que verifica a incidência de AVC. Em 2009, o estudo foi contemplado com o Prêmio Jesse Accioly, no 5° Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme.

O AVC é potencializado em pessoas com doença falciforme e o exame, além de apresentar baixo custo, não é invasivo, bem tolerado pelos pacientes e proporciona tratamento preventivo.


Compartilhando experiências
Localizado no Hemocentro de BH, o Serviço de Pesquisa está vinculado à Gerência de Desenvolvimento Técnico-Científica, subordinada à Diretoria Técnica da Hemominas, e reúne profissionais com experiência em ensino, pesquisa e extensão.

As pesquisas não se limitam apenas ao Serviço de Pesquisa, estando disseminadas em diferentes setores e unidades da instituição.

Cabe ao Serviço de Pesquisa registrar, acompanhar e avaliar os resultados finais dos estudos desenvolvidos em todas as unidades da fundação. Além disso, direciona ao Núcleo de Inovação Tecnológica as pesquisas com potencial de inovação para assegurar-lhes a devida proteção intelectual de seus resultados.

Implantado em 1992, o Serviço de Pesquisas da Hemominas tem por objetivos coordenar, desenvolver, acompanhar e divulgar a produção científica do órgão estadual.

Além disso, o serviço promove a atualização técnico-cientifica de servidores e orienta estudantes de graduação e pós-graduação na perspectiva de formar recursos humanos.

“O investimento aplicado em pesquisas retorna para a instituição no atendimento aos pacientes e doadores, nas técnicas e nos procedimentos desenvolvidos, sendo um importante o foco a segurança transfusional”, garante Marina Lobato, gerente da Hemominas.