Desportistas de Montes Claros se uniram ontem para cobrar a revitalização da Praça de Esportes, principal equipamento de política esportiva da cidade e que se encontra praticamente abandonado. Em recente decreto, a prefeitura determinou que irá transformar parte do espaço em estacionamento para gerar receita – mesmo a prefeitura tendo fechado 2017 com R$ 68 milhões em caixa, conforme O NORTE mostrou na edição de ontem. Profissionais da área temem pelo futuro do esporte na cidade. 

Para o professor de educação física Rogério Chaves, conhecido como Roy, a praça sempre foi o local de treino de atletas da cidade, inclusive da periferia. Ele defendeu o retorno de programas e a formação de equipes, como já aconteceu no passado. “Este ainda é o modelo ideal, sem dúvida. É importante pensar o esporte de uma maneira macro. Quero deixar bem claro aos vereadores e a todos que não existe despesa ou gasto. O que existe é investimento”, ressaltou o desportista, que representou a associação de pais e usuários da Praça de Esportes durante a audiência.

Desde 2017, os programas que aconteciam no espaço foram desativados e a praça foi fechada ao público. Cássio Dantas, outro professor da área, entende que o município não pode se abster da sua responsabilidade. “O município não tem dinheiro? Mas o gestor público não pode abrir mão. Ele tem que ter uma cota e montar um modelo de gestão para investir na estrutura. A sugestão é transformar os projetos em políticas públicas para que qualquer gestor que entre tenha que mantê-las e seja responsabilizado se não cumpri-las”, destacou.
 
TALENTOS
A atleta de futsal Dayane Spínola se destacou no esporte local como atleta da Praça de Esportes. Sem espaço para continuar na atividade na cidade, foi contratada para jogar em Governador Valadares. “Nasci em Montes Claros, fui criada aqui e era aqui que eu gostaria de estar jogando”, disse a atleta, que lamenta a ausência de um olhar mais generoso para o esporte.

O vereador Daniel Dias, propositor da discussão, explicou por que é contrário à iniciativa da prefeitura de usar o espaço como estacionamento. “A praça deva ser revitalizada e devolvida a ação precípua dela, que é a da prática esportiva, aliando educação, lazer e alto rendimento”, finalizou. 

Presente na reunião, o secretário Municipal de Esportes, Igor Dias, afirmou por diversas ocasiões que o município não teria dinheiro para arcar com a revitalização. “É muito difícil implementar determinadas atividades neste momento, com a situação como está”, admitiu.

Na prestação de contas, o secretário de Finanças, Cori Ribeiro, disse que qualquer investimento para este ano seria feito após a realização de projetos.