O saldo entre empresas abertas e extintas em Minas Gerais no primeiro trimestre deste ano cresceu 18% em relação ao mesmo período de 2017, passando de 2.572 para 3.040. Os dados são da Junta Comercial do Estado (Jucemg).

Em sete territórios de desenvolvimento, a diferença entre negócios abertos e fechados superou a média estadual. No Triângulo Norte, o acréscimo foi de 135%. Por lá, o saldo foi de 122 para 287.

O Sudoeste obteve o segundo melhor resultado, subindo de 37 para 70 – incremento de 89%, à frente do Território Sul, com alta de 82%. Mata (65%), Oeste (54%), Metropolitano (33%) e Alto Jequitinhonha (28%) aparecem em seguida.

O levantamento aponta ainda que, em todo o Estado, os setores com maior número de empresas abertas foram construção civil, comércio (bares e restaurantes) e serviços. 
 
MOTIVADORES 
Desburocratização, ampliação dos serviços no interior, incentivo à inovação e redução da criminalidade são considerados fatores que contribuíram para o cenário positivo.

“Apesar da crise econômica, o governo de Minas Gerais tem criado um ambiente propício para a abertura de novos negócios”, frisa o subsecretário da Secretaria de Estado Extraordinária de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais (Seedif), Pedro Leão. 

Segundo ele, os investimentos em segurança pública ajudam a elevar a confiança do empresariado, sobretudo no interior. Leão afirma que os riscos e os custos do negócio diminuem, uma vez que o empreendedor não precisa investir tanto em equipamentos de segurança. 
 
FACILITAÇÃO
A desburocratização dos processos para a abertura de empresas também é destacada com a Sala Mineira do Empreendedor. A iniciativa é fruto de parceria entre Jucemg, Sebrae Minas e prefeituras. Até o momento, 191 municípios aderiram ao projeto e 51 já inauguraram os espaços.

Simplificar o ambiente de negócios em Minas, facilitar a criação e promover o desenvolvimento sustentável de novas empresas e aumentar a competitividade são os objetivos das salas, explica a diretora de Registro Empresarial da Jucemg, Lígia Xenes.

Ela diz, ainda, que antes o prazo de abertura de uma empresa no Estado era de 16 dias. “Agora caiu para sete dias, aproximadamente”. 
 
SUSTENTABILIDADE
Criar um modelo de negócio que seja sustentável ao longo do tempo também é fundamental, reforça Daniel Oliveira, coordenador do Seed, programa de fortalecimento da cultura empreendedora em Minas.

Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), a iniciativa integra uma série de ações governamentais, parcerias e rede de networking.

“Primeiro, levamos conhecimento ao empreendedor e, depois, o ajudamos a criar conexões com outras empresas e com o poder público, que ajuda na sustentabilidade do negócio”, Daniel explica Oliveira.

Até o momento, passaram pelo Seed 152 startups, sendo 36 estrangeiras, e 384 empreendedores.

Empreendedorismo é levado para a sala de aula
A introdução à cultura empreendedora em Minas Gerais já começa na sala de aula. Criado em 2017, o programa Meu Primeiro Negócio abrange alunos do ensino médio da rede pública estadual. Eles são levados a organizar e operacionalizar empresas estudantis.

O projeto é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes) em parceria com a pasta de Educação.

Neste ano, 400 escolas participam das atividades, que consistem em 12 semanas de aulas sobre mercado, comercialização e livre iniciativa. Profissionais de marketing, finanças, recursos humanos e produção acompanham os estudantes. 

OPORTUNIDADE 
Diretora de Ambiente de Inovação da Sedectes, Cecília Velasquez Serpa avalia o programa como uma oportunidade de o jovem ingressar no ensino superior e no mercado de trabalho mais capacitado. “Também é uma forma de despertar o espírito empreendedor deles. Alguns concluem o curso com vontade de abrir seu próprio negócio”.

Na primeira edição do programa foram contempladas 120 escolas da rede estadual, sendo 57 Escolas Polo de Educação Múltipla (Polem). As atividades beneficiaram 2,5 mil alunos e mobilizaram 120 professores e 200 voluntários. Na edição de 2018 serão 199 municípios no projeto.