A primeira usina fotovoltaica do Brasil com sistema de armazenamento de 1 Megawatt (MW) foi inaugurada ontem em Minas Gerais. A unidade está localizada em Uberlândia, no Triângulo, e integra o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

A iniciativa recebeu investimentos de R$ 22,7 milhões, sendo R$ 17,5 milhões da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e o restante da Alsol Energias Renováveis (Grupo Algar), parceira do projeto. 

O programa busca desenvolver uma solução, através de um produto nacional, que gere economia financeira ao reutilizar baterias e inversores fotovoltaicos existentes.

A Cemig e a Alsol farão um estudo da aplicação de sistemas de armazenamento em combinação com geração distribuída, com implantação de uma planta fotovoltaica de 300 kWp (kilo Watt-pico) e um sistema de armazenamento de 1 MW. Além disso, serão instalados sete protótipos de sistemas de armazenamento, sendo alguns deles na Universidade Federal da Paraíba e no Instituto Federal do Rio Grande do Norte, também parceiras no projeto.

Durante a inauguração, o governador Fernando Pimentel destacou o avanço do setor em Minas e a melhoria na qualidade da energia fornecida. “É pioneiro no Brasil. Com a bateria é possível controlar a energia que vai para a rede e manter a estabilidade, que é fundamental não só para o consumo, mas para as baterias também”, explicou.

O presidente da Alsol, Gustavo Malagoli, destacou que os equipamentos desenvolvidos pela empresa e pela Cemig vão permitir que a energia armazenada consiga “suprir a energia no momento de mais demanda no país”. Ele também ressaltou que a medida abrirá dezenas de vagas de emprego.
 
BENEFÍCIOS
Outra finalidade do projeto é o desenvolvimento de um novo modelo de negócio de compensação energética, a partir de plantas híbridas que combinem geração fotovoltaica e sistemas de armazenamentos, em unidades consumidoras. A proposta é garantir, ao mesmo tempo, qualidade de energia em pontos críticos da rede. 

Há também a redução de perdas em alimentadores e transformadores durante o horário de pico, o impacto direto nos índices de disponibilidade e de qualidade de energia trazendo retorno em curto, médio e longo prazos.

2,5 mil
famílias vivem hoje na
Comunidade do Glória

Ocupação será regularizada
As instalações elétricas na Comunidade do Glória, em Uberlândia, no Triângulo, serão regularizadas. A medida foi autorizada pelo governador Fernando Pimentel, em solenidade ontem no município.

Cerca de 15 mil pessoas que vivem na ocupação, às margens da BR-050, serão beneficiadas com a ação. No local, atualmente os imóveis são abastecidos com ligações clandestinas de água e energia elétrica, além de o esgoto ser despejado em fossas construídas pelos próprios moradores.

A área de 63 hectares a ser regularizada pertencia à Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e foi ocupada em 2012 pelo Movimento Sem-Teto do Brasil. No ano passado, a instituição educacional cedeu o terreno ao poder público.

A regulamentação será feita em parceria entre a Cemig e a Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab-MG). Após a regularização fundiária, o local receberá o nome de bairro Elísson Prieto.

O cronograma dos trabalhos deverá ser iniciado em maio, com levantamento de campo. Já as obras estão previstas para começo em setembro.

Além das instalações elétricas no Glória, a Cemig também irá substituir 10% de geladeiras em pior estado, trocar as lâmpadas atuais por LED e os chuveiros elétricos por eletrônicos para as famílias com mais de cinco moradores. A comunidade terá palestras educativas e orientação sobre o uso eficiente e seguro da energia elétrica. 

Os moradores em condições de receber o benefício serão cadastrados na Tarifa Social de Energia Elétrica.