O irreverente Zé de Sá

Vitrine Literária / 09/05/2018 - 00h22

Sempre algum motivo nos leva a retroceder ao tempo e imagens fantasiosas vêm burilar a nossa memória já um pouco cansada da labuta do dia a dia. De modo geral, são essas lembranças, ou coisas do passado, que brotam no interior de cada um de nós e às vezes nos machuca muito. A velha Ceraíma, povoado que outrora repousava à beira das águas da Lagoa do Gentio, é o grande repositório dessas lembranças que fantasiam a nossa vida florida. Dentre as pessoas que viveram naquela pequenina vila, destacamos a figura ímpar de José Alves de Sá, que por força do destino teve que reencontrar a sua saudosa companheira Sinhá em um plano superior. Em verdade, a alegria de seus sogros, parentes neste divino encontro, vem agora certificar a importância de sua presença ao lado daquela que tanto lhe amou em vida.

Como já afirmamos em outra oportunidade, a perda irreparável de José de Sá – ou simplesmente Zé de Sá, assim com ele era conhecido – fez com que renascessem as mais fantásticas cenas e um passado glorioso daquela velha vila de Ceraíma. Pois bem, o irreverente Zé de Sá era uma pessoa polêmica e bastante interessante. Era um tipo de cavalheiro bonachão que engraçava e se fazia de engraçado por qualquer coisa e por qualquer motivo que fosse. Ele tinha lá as suas manhas e os seus dengues. Muito mais manhas do que dengues. Isso porque era ele um “home-bravo” do sertão pernambucano ou como quer que sejam todos os nordestinos que se prezem. Era amante de uma boa leitura a que sempre teve em mãos em diversos livretos e revistas. Enquanto lia, simultaneamente escrevia alguns adjetivos, não muitos recomendáveis, sobre as fotografias estampadas nas revistas e nos livros. Ah, também ele teve lá seus atropelos e os seus desenganos. Coisas que a vida reserva às pessoas de bem. Seus companheiros de contar causos, Wladimir, 
Laborda e tantos outros ficaram sem as suas anedotas de uma mesa de bar. Fora casado com a saudosa professora Leolina Ana Cotrim de Sá (Sinhá), com quem teve 7 filhos. Funcionário público exemplar, ele prestou relevantes serviços no Dnocs, isso desde o ano de 1948, quando aqui esvaziou as suas malas para todo o sempre. Dentre as suas características peculiares, destaca-se o uso da folha de zabumba na feitura de cigarros para a cura de uma asma. 

Entretanto, a lacuna existente pela perda de homens públicos em Guanambi se alarga mais um pouco. O topógrafo Zé de Sá nos deixa há algum tempo com o dever cumprido. O seu árduo trabalho, durante a construção da barragem de Ceraíma, será lembrado pelas futuras gerações. Quiçá os nossos ilustres representantes no Legislativo municipal não queiram homenageá-lo com a denominação de uma das ruas da cidade com o seu nome. Que a justiça seja feita! 

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