Maenna Alhaya

Vitrine Literária / 14/03/2018 - 00h08

O Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros recebeu, com galhardia, neste final de ano, o acadêmico Paulo Hermano Soares Ribeiro como um dos membros de seu quadro de associados. O novo confrade é um contumaz estudioso da história e tem produzido trabalhos interessantes sobre o assunto. No nosso primeiro contato, recebemos para apreciação o seu livro “Maenna Alhaya: vida, drama e morte”, uma novela empolgante que podemos dizer, sem sombra de dúvida, irá conquistar os velhos e os moços em vista dos fatos ali descritos. 

Confesso que no início da leitura tive a impressão de que não iria entender muito bem a mensagem da narrativa. Não desisti e aprofundei, com a curiosidade mais apurada, nas entrelinhas e nos labirintos acadêmicos que o autor reservou para os seus leitores.

A leitura, que no primeiro momento parecia bastante embaralhada, foi aos poucos revelando o cerne da história. O assunto exigia do historiador o malabarismo das palavras, não para o espanto do leitor, mas para prendê-lo ainda mais no andar da carruagem. A cada página lida uma nova surpresa, um novo direcionamento no roteiro e, acima de tudo, uma nova mensagem que permitiria ao leitor lançar mão do irresistível.

“Maenna experimentou, pela primeira vez, o sentido das palavras de Luiz de Camões: Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer...”. Pode-se dizer que se faz uma leitura ao avesso, o que na verdade não é nada disso. Apenas quis o autor atiçar a imaginação das pessoas contra os acontecimentos literários. 

No livro “Maenna Alhaya: vida, drama e morte”, do escritor Paulo Hermano, o seu personagem – Maenna Alhaya ou Bartolomeu Benzendo – sofre uma condenação à maneira de Papilon (Steve Mc Queen) que foi cumprir a sua pena numa prisão da costa da Guiana Francesa, próximo da Ilha do Diabo. No caso de Maenna Alhaya, a cena do crime era a guerra, em particular a insubordinação militar que era considerado crime de morte. Entre uma história e a outra fica a fuga espetacular dos dois. Em momento nenhum Maenna nunca se arrependeu de sua decisão diante o pelotão de fuzilamento, mas outro “arrependimento” houve quando ele conheceu o amor. O leitor saberá desse fato, melhor entender.

A escrita de Paulo Hermano, que aparentemente parece complexa, revela-se um encanto de narrativa, onde o leitor pode explorar a sua imaginação, fazendo os prognósticos do final da leitura. Nem sempre o termo é o esperado, porém ele será muito emocionante nas últimas investidas do autor no complemento de sua bela história, que pode ser de amor, ou de temor à guerra.

Numa atitude inusitada, o personagem de Paulo Hermano, nos surpreende todos os leitores, com a decisão que tomara mediante aos direitos e deveres de sua pátria. “Certamente que o governo a qual foi dirigida a comunicação deve tê-la recebida com algum assombro, porque não deve ser corriqueiro que o condenado de morte...” basta isso para intrigar a memória dos historiadores. Parabéns, Paulo Hermano, sucesso!

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