Dia da Mulher

Vitrine Literária / 07/03/2018 - 06h28

Por que o dia 8 de março? Pois bem, tudo aconteceu quando houve a rebelião das mulheres-operárias em uma das fábricas de tecidos na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. O fato se deu no dia 8 de março de 1857. As mulheres-operárias reivindicavam melhores salários, igualdade na carga diária de trabalho (pois as fábricas exigiam até 16 horas por dia), tratamento digno e respeitoso. Por isso, as operárias uniram-se num só grito para pressionar os empresários americanos e sensibilizá-los com as suas autênticas reivindicações. Entretanto, nada disso adiantou.

Mas, inconformados com as constantes manifestações, os empresários iniciaram uma ofensiva contra as operárias. Elas foram reprimidas com violência. Em algumas fábricas houve diversas cenas de brutalidades contra as indefesas tecelãs. Em uma dessas repreensões, elas foram encarceradas dentro de um compartimento onde ocorrera um grave incêndio, supostamente criminoso, causando a morte de cerca de 130 bravas tecelãs. Todas elas morreram carbonizadas, vítimas da crueldade humana, sem precedentes na história universal. 

O tempo dá um avanço no seu próprio eixo. Meio século depois. Durante uma conferência realizada na Dinamarca, no ano de 1910, em memória a mais de uma centena de vítimas do grande incêndio nos Estados Unidos, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser comemorado como sendo o Dia Internacional da Mulher. Mas, devido a burocracias da imprestabilidade das leis, foi necessário esperar mais outro meio século para que a ONU viesse a cumprir a lei que criava o Dia Internacional da Mulher.

Agora, os fatos acontecidos naquele fatídico dia estão vivamente mais presentes na memória de cada povo. As mulheres, em todas as ocasiões vão conquistando o seu próprio espaço. Nomeadas em importantes cargos nas grandes empresas, elas exercem com extrema competência e com responsabilidade inquestionável. Mesmo assim, é preciso eliminar de uma vez por todas os preconceitos e também a desvalorização profissional que existem, por vezes, contra a mulher. Não podemos considerar um avanço social a criação da Lei Maria da Penha, mas ela existe para coibir a violência que ainda se pratica contra a mulher indefesa. Fatos totalmente inadmissíveis para os tempos de hoje.

Não obstante a tragédia passada, a data de 8 de março deve ser lembrada com bastante alegria. Isso não apenas para comemorar a grande vitória das operárias, mas para que a população possa realizar conferências, debates e reuniões com o objetivo único de valorizar, com decência e com respeito, o trabalho da minoria que, na verdade, torna-se uma grande maioria. O que faz da maioria uma singela minoria é o silêncio, pois ele cria um vazio fúnebre e faz de tudo esquecer. O Dia Internacional da Mulher deve ser lembrado todos os santos dias. 

Hoje, felizmente, já há uma proporcionalidade direta no conceito feminino, e não feminista, da mulher: quanto mais fora do seu mundo, mais para dentro de si mesmo elas se encontram. Não se quer dizer com isso do avanço sobre outros espaços senão a conquista do seu próprio lugar, alocado num mundo moderno e mais humano. Disse Malherbe: “Deus que se arrependeu de ter feito o homem, nunca se arrependeu de ter feito a mulher”. Parabéns mulheres

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