Os campinhos de pelada da minha infância

Sapatada na rechonchuda / 13/09/2017 - 01h02

Lembrei-me ontem de material escrito pelo amigo Sérgio Bastos informando as regras para o tradicional “futebol de campinho”. Veio me a memória na hora alguns dos campos que frequentei quando criança: Os campinhos da Rua Dr. Tupiniquins, da beira da linha na Cônego Chaves e do lado da Escola Eloy Pereira, próximo a Ponte Preta.

No campo improvisado, a arquibancada era os restos do chassi de um caminhão onde a gente se amontoava para assistir aos craques da época. O campinho era descaído e aí quem jogasse na ponta direita de um lado e na ponta esquerda do outro era beneficiado. Quem atuasse em cima tinha que segurar a bola sempre. Era na verdade um Deus nos acuda. Mas todo mundo gostava, isso era fato.

Outro detalhe: O jogador tinha que dosar o chute. Conforme a potência do “Nelinho” aventureiro, avistava sempre a roupa alva de “Dona” Ana. Desnecessário lembrar que perdemos as contas de quantas bolas se foram após a efusiva comemoração de um gol. Quando a coisa se complicava, a pelota era devolvida em duas bandas. Era um presente... de grego.

Fora o campinho da Rua Dr. Tupiniquns, existiam outros alternativos por aquelas bandas: O da beira da linha no final da rua Cônego Chaves, em frente a casa de “Seu” Zé Tarreira e também de Dona Lêda. Tinha também o campinho da Rua Bonfim, ao lado da Padaria Real. Para completar o nosso complexo esportivo existia um campinho dentro da “manga” ao lado da Escola Eloy Pereira.

Nem em sonho poderíamos imaginar que o local se tornaria via de acesso a atual estação rodoviária ou a um moderno shopping. Era um mato descabido. Não dava pra imaginar.

Os craques da época tinham nomes peculiares. Eis alguns: Zé Babão, Tonicão e Zé “Toquinha”. Roberto Barrão, Ronaldinho Relojoeiro e Tinxo, irmãos consangüíneos. Jorjão da funerária de Leonel, Nozinho de Tenente, Dica (Adilson Monção), Nando (Fernando) e Liga (Elias Monção), irmãos consangüíneos. Zé Nilson, Nelson e Roneilson, também da mesma família.

Para fechar o circo familiar, Lela e Adilson eram mais dois irmãos que brigavam pela bola. Ainda lembro de Reizinho, Gilmar e Didiu, filhos de Dona Lêda e seu Zé Santos, curiosamente hoje todos falecidos. Doda, filho de Leonel Beirão de Jesus, não poderia ser esquecido. Goleiraço de mão cheia. Gilmar e Nego Tó, nomeados capoeiristas do pedaço.

Cito ainda Juninho e Nadilson, por acaso também meus irmãos. Assim, cometendo injustiça, pedindo perdão e me esquecendo de alguns, fecho hoje essa doce lembrança do meu passado, pois afinal de contas, recordar é viver!

 

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