Lembranças do repórter Cosme Silva

Sapatada na rechonchuda / 09/11/2017 - 00h37

O ano era 2008. Eu entrava pela primeira vez no gramado do Mineirão como repórter para cobrir um clássico mineiro entre Cruzeiro e Atlético. Trabalhava pela Expressão FM, emissora comunitária que foi pioneira em transmitir futebol em nossa região.

Debutando no Gigante da Pampulha, por mais preparado que se esteja, a gente fica perdido no emaranhado de microfones, repórteres e atletas que circulavam por aquele espaço. 

Antes era permitido entrar no gramado para entrevistar os atletas profissionais. Hoje não é mais assim. Os repórteres estão confinados a zona mista e a mercê do temperamento dos jogadores, hoje com comportamento de celebridade para dar entrevistas. 

Sem ambiente, encontrei por ali dois profissionais do rádio bem mais antigos que eu nas coberturas de futebol no Mineirão. Adeli Mendes e Cosme Silva atuando pela Rádio Terra AM, ajudaram-me a desempenhar bem minha função naquela tarde. Devo agradecê-los pelo suporte. Mal sabia eu que mais tarde nos tornaríamos colegas de trabalho na mesma emissora.

Passei a conhecer a partir daquele dia e acompanhar mais de perto o trabalho de ambos, especialmente o do repórter Cosme Silva. Tímido com os companheiros, mas um gigante quando empunhava o microfone.

Trabalhar com Cosme era fácil. Na execução de sua função, não se preocupavam em sobressair, mas em estar afinado com os demais da equipe. Sempre educado em suas intervenções na locução. Exercia esse cuidado de maneira profissional. Ainda bem que tive oportunidade de dizer isso em vida pra ele. Seria muito ruim não ter a oportunidade de elogiar tão belo trabalho.

Cosme nos deixou de forma prematura. Morreu em Julho de 2015 aos 45 anos. “Na paquera, de radinho ligado na Terra” agora ficaram aqueles que eram seus fiéis escudeiros no dia a dia da cobertura do esporte amador. Quem não consegue se lembrar de sua presença quase silenciosa nos gramados ou nas quadras, cobrindo incessantemente os acontecimentos esportivos de nossa cidade? Ou de seu desempenho para descrever os lances de Vôlei do Montes Claros nas transmissões esportivas do Montes Claros Vôlei? 

A lacuna não foi preenchida. E é cada vez mais raro gente comprometida com o trabalho no rádio ou na TV. Está ficando escasso os chamados “operários da notícia”. Todo mundo quer ser celebridade. Trabalhar mesmo, conte nos dedos.

De qualquer maneira, foi-se o homem, fica o exemplo e o seu trabalho. É bom sempre nos lembrarmos daqueles que não estão mais por aqui. Seu exemplo será importante até que também nos seja chegada a hora.

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