Desigualdade esportiva

Sapatada na rechonchuda / 12/08/2017 - 00h02

Fico me perguntando todos os dias o que move o mega milionário mundo do futebol. As cifras pelas quais os jogadores são negociados são indecentes.

E não se justificam dentro dos patamares chamados normais do futebol. No Brasil, atletas ganham quase R$ 1 milhão por mês ou por ano, o que é 700 vezes superior (numa hipérbole bem fajuta) ao que noventa por cento dos salários dos times de futebol pagam.

Na Europa, aí a coisa fica escandalosa de um jeito que a gente não consegue decifrar. E não se trata de desconhecimento de causa, como diriam alguns por causa dos salários de miséria a que os jornalistas estão enclausurados.

Faça campana para falar com os mega economistas das bolsas de valores espalhadas pelo mundo e você vai ver que eu não estou falando nenhuma inverdade ou tentando explicar o inexplicável.

Não, não é delírio de um jornalista do interior. É fato! Veja um levantamento feito pela revista Forbers, pelo periódico espanhol Marca e pelo Jornal britânico Daily Mail e me diga se isso não te faz ficar com a pulga atrás da orelha.

Depois de Neymar, Cristiano Ronaldo, vem em segundo lugar 58 milhões de dólares ou 93 milhões de reais.

O quarto da lista dos mais bem pagos é o galês Gareth Bale, do Real Madrid, com vencimentos anuais de 18,2 milhões de libras, R$ 77,6 milhões.

Os demais são: o brasileiro Hulk e recebe R$ 71 milhões por ano. Depois aparecem Pogba (R$ 64.4 milhões/ano), Pelle (R$ 60,5 milhões/ano), Lavezzi (R$ 57,5 milhões/ano), Rooney (R$ 57,5 milhões/ano), Neymar (R$ 57,1 milhões/ano) e Ibrahimovic (R$ 55,4 milhões/ano).

Do outro lado da moeda, um mundo cruel invade o Brasil e por que não dizer, a maioria dos países da América Latina.

Só no Brasil, segundo informações da CBF, a realidade é cruel: dos 30.784 jogadores registrados no país, atualmente, 82% recebem até dois salários mínimos — no grupo, estão inclusos os atletas que jogam até de graça.

Na outra ponta, um número bastante modesto de “sortudos” (2%) embolsa acima de R$ 12,4 mil, 20 salários mínimos.

Segundo a Federação Internacional de Jogadores Profissionais (Fifpro), 30% dos atletas do mundo inteiro convivem com atrasos e o não pagamento de obrigações contratuais. Agora, constatamos que no mundo do futebol é a mesma coisa.

Inclusão? Alienação ao mundo das drogas? (frase clichê da maioria dos projetos que capitaneiam atletas). Ledo engano. Nesse mundo “esportivo” também é o vil metal quem manda. Se lícito ou não, só o tempo dirá.

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