Aumento dos casos de Aids entre os jovens é uma triste realidade

Raquel Muniz / 13/02/2018 - 23h25

O primeiro diagnóstico de Aids no Brasil ocorreu em 1982. Depois de 35 anos, não podemos negar que muitas foram as conquistas no enfrentamento à epidemia, tanto por parte das campanhas publicitárias dos governos quanto da organização e mobilização da sociedade civil. A ONU classifica o vírus como ameaça para a saúde pública, pois afeta um total de 36,7 milhões de mulheres e homens em todo o mundo.

De acordo com pesquisa da UNAids, órgão das Nações Unidas que lida com a doença, o número absoluto de novos casos de Aids no Brasil aumentou, em tendência contrária ao que se registra na média mundial. Para se ter ideia, somente em 2016 foram 48 mil novos casos.

Temos que esclarecer que HIV e Aids não são a mesma coisa. Enquanto a primeira significa que a pessoa tem o vírus, mas não a doença, a segunda indica a manifestação da doença, propriamente dita, com todas as suas consequências. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. No entanto, eles podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção.

Estamos em meio a maior festa popular do planeta, o carnaval, e é nesse momento que os cuidados devem ser intensificados. 

O Ministério da Saúde fez um levantamento e detectou que, desde o início das notificações oficiais no País, em 1980, já foram registrados 882,8 mil casos. O órgão elaborou algumas dicas importantes para que ninguém deixe de amar por medo da infecção ou por falta de informação. Vejamos:

ASSIM PEGA: sexo vaginal, anal e oral sem camisinha; uso de seringa por mais de uma pessoa; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação; ou instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

ASSIM NÃO PEGA: sexo desde que se use corretamente a camisinha; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; aperto de mão ou abraço; sabonete, toalha, lençóis, talheres e copos de terceiros; doação de sangue; pelo ar.

Claro que os cuidados com a saúde deve ser uma rotina diária, mas nossa maior preocupação continua sendo o carnaval e o público mais jovem, haja vista que o Ministério da Saúde constatou que as pessoas dessa faixa etária ainda desconsideram o hábito de usar preservativos. O próprio Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais daquele ministério, por meio da última Pesquisa de Comportamentos e Atitudes e Práticas do órgão, alerta a população para essa questão, pois entre jovens de 15 a 24 anos, apenas 56,6% usam camisinha com parceiros eventuais.

É sabido que as DSTs são transmitidas por outros meios, mas a maior probabilidade de adquiri-las é mediante relação sexual sem proteção. Lembre-se: a única forma de se prevenir é usando camisinha e não tomando anticoncepcional ou pílula do dia seguinte. 

Além das doenças já mencionadas, para as mulheres existe um risco a mais: o da gravidez indesejada. Por isso, prevenção, cautela e responsabilidade são os remédios mais eficazes.

Cuide-se e faça exames periódicos

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